
No Evangelho é dito: “Naquele tempo, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe: “Segue-me!” Ele se levantou e seguiu a Jesus. Enquanto Jesus estava à mesa, em casa de Mateus, vieram muitos cobradores de impostos e pecadores e sentaram-se à mesa com Jesus e seus discípulos. Alguns fariseus viram isso e perguntaram aos discípulos: “Por que vosso mestre come com os cobradores de impostos e pecadores?” Jesus ouviu a pergunta e respondeu: “Aqueles que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. Aprendei, pois, o que significa: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores”.” (Mt 9,9-13)
Cristo disse: “Aprendei, pois, o que significa: Quero misericórdia e não sacrifício”. No caso, Cristo menciona um trecho da Sagrada Escritura, do antigo testamento (Oséias 6,6), e ensina, com suas ações e palavras, como ele deve ser entendido, e por isso fala “aprendei, pois, o que significa”. Isto vale para toda a Escritura Divina, do Gênesis ao Apocalipse, que deve ser entendida corretamente, para que prevaleça a verdade, que é própria de Deus, contra a falsidade, que é repelida por Deus.
Assim como o médico está para o curado, o misericordioso está para a sanação da miséria de um miserável. Só pode ser misericordioso quem tem poder e misericórdia, pois com seu poder pode auxiliar o miserável, tirando-lhe de alguma miséria sua, trazendo bens que fazem desaparecer certos males, enquanto privações debilitantes. Pelo poder que recebeu de Deus, o homem pode livremente iniciar ou interromper uma série de causas e efeitos, o que inclui os atos de misericórdia. Assim como poder se livremente causa segunda, na Causa Primeira que Deus é sempre, o homem pode ser livremente fonte segunda de bens para seus semelhantes, na Bondade Primeira que Deus é sempre.
