Cinco requisitos para amar nosso próximo

Então “Ame seu próximo como a ti mesmo”. Esse é o segundo mandamento da Lei, e diz respeito ao amor ao próximo. Temos discutido o fato de que devemos amar o próximo. Agora devemos nos voltar para o modo como devemos amá-lo, e isso está indicado nas palavras “como a ti mesmo”. Em relação a isso, há cinco pontos que devemos observar ao amar o próximo:

O primeiro é que devemos amá-lo realmente como a nós mesmos. Fazemos isso se o amamos por seu próprio bem, não por nosso interesse próprio. Aqui lembramos que existem três tipos de amor. O primeiro é utilitário (Eclo 6,10): “ele é um amigo à mesa, mas não estará por perto no dia da necessidade”. Isso certamente não é amor verdadeiro. Ele desaparece quando a vantagem desaparece. Em tal caso, não desejamos o bem ao próximo, mas sim a nossa própria vantagem. Há outro amor voltado para o que é agradável. Isso também não é amor verdadeiro, porque quando o prazer desaparece, ele desaparece. Nesse caso, não desejamos o bem principalmente para nosso próximo, mas sim o bem dele para o nosso próprio bem. O terceiro tipo de amor é em nome da virtude, e só este é o verdadeiro amor. Pois então não amamos nosso próximo em vista de nosso próprio bem, mas para o seu próprio bem.

O segundo ponto é que devemos amar ordenadamente, isto é, não devemos amá-lo acima de Deus ou tanto quanto a Deus, mas junto com Ele da maneira que você deve amar a si mesmo (Cânticos 2,4 Vulgata): “Ele ordenou o amor em mim”. O Senhor ensinou esta ordem (Mt 10,37): “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim; e quem ama filho ou filha acima de mim, não é digno de mim”.

O terceiro ponto é que devemos amar nosso próximo na prática. Pois você não só ama a si mesmo, mas também tem o cuidado de prover para si mesmo e evitar o mal. Você deve fazer o mesmo por seu próximo (1Jo 3,18): “Não amemos com palavras ou com a língua, mas com ações e com a verdade”. Mas certamente as piores pessoas são aquelas que amam com a boca, mas praticam o mal em seus corações. O Apóstolo diz (Rm 12,9): “ame sem fingimento”.

O quarto ponto é que devemos perseverar em amar nosso próximo, assim como você persevera em amar a si mesmo (Prov 17,17): “Um amigo ama em todos os momentos, e um irmão nasce para a adversidade;” ou seja, ele ama nos maus momentos tanto quanto ama nos bons momentos. Além disso, um amigo é realmente provado em uma época de adversidade.

Mas note que duas coisas ajudam a preservar a amizade. A primeira é a paciência: “Um homem briguento acende a contenda”, tal como é dito (Prov 26,21). A segunda é a humildade, que causa a primeira, ou seja, a paciência (Pv 13,10 Vulgata): “Entre os orgulhosos, há sempre contendas”. Pois qualquer um que se julga grande e despreza ao outro não pode suportar os erros deste último.

O quinto ponto é que devemos amar com justiça e santidade, para que não amemos conduzi-lo ao pecado, porque você não deve amar a si mesmo dessa maneira, pois ao fazer isso você perde Deus. Assim é dito (Jo 15,9): “Permanecei no meu amor”. Este é o amor de que se fala (Eclo 24,24 Vulgata): “Eu sou a mãe do belo amor”.” (Santo Tomás de Aquino, em “Os Dez Mandamentos”)

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