
Santa Edith Stein diz: “Aceitando a fé segundo o testemunho de Deus, adquirimos conhecimento sem compreendê-los; não podemos aceitar as verdades da fé como evidentes, como verdades necessárias da razão ou como fatos da percepção dos sentidos: não podemos, tampouco, deduzi-las de verdades imediatamente evidentes segundos as leis da lógica. Eis porque a fé se chama “luz escura”.”
Na verdadeira religião, os conteúdos da fé são realidades reveladas por Deus ao homem. Com relação a elas, o Deus Onisciente é aquele que sabe e o homem é aquele que não sabe, e por isso Deus é aquele que ensina e o homem é aquele que aprende.
As realidades reveladas excedem a capacidade natural da razão humana, que possui poder limitado. A verdadeira fé é conhecimento e o que nela se aprende é verdade. A Santíssima Trindade em Deus, a realidade de haver três Pessoas divinas na única natureza divina, e a transubstanciação na Sagrada Eucaristia, o pão e o vinho que se tornam o Corpo e o Sangue de Cristo, dois mistérios da fé, são exemplos da fé como “luz escura”. Assim, Santa Edith diz: “Aceitando a fé segundo o testemunho de Deus, adquirimos conhecimento sem compreendê-los”. Compreendê-los é o mesmo que vê-los cristalinamente, e isto será dado no Céu, de modo que: “Existe a plena verdade (…). Não só o que sabemos agora, mas também o que cremos agora, conheceremos de outra maneira quando chegarmos à pátria celestial”.
Mesmo as verdades evidentes, enquanto verdades necessárias da razão, como o princípio de que nada pode causar a si mesmo, ou enquanto percepções dos sentidos, como as palavras aqui vistas, mesmo elas “conheceremos de outra maneira quando chegarmos à pátria celestial”, porque serão vistas com luz divina, com participação no ser divino, o melhor dos bens para o homem.
São Tiago Apóstolo diz: “Toda dádiva boa e todo dom perfeito vêm de cima: descem do Pai das luzes, no qual não há mudança, nem mesmo aparência de instabilidade” (1,17). E Cristo diz: “Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12).
