
Em Provérbios é dito: “Aferra-te a instrução, não a soltes, guarda-a porque ela é tua vida” (4,13).
A instrução, enquanto instrui na verdade, é algo valioso. E se quanto mais importante a realidade mais importante a verdade, então quanto mais importante a verdade mais importante a instrução. Na vida humana, a realidade das coisas divinas, a realidade do bem e do mal e a realidade da vida boa e feliz, possui grande importância, e desse modo grande valor possui a instrução sobre elas. Assim, é dito que a instrução “é tua vida”. Como exemplo, a este respeito é dito em Oséias: “Porque meu povo se perde por falta de conhecimento; por terdes rejeitado a instrução, te excluirei de meu sacerdócio” (4,6). Pelo que vale, a instrução deve ser entendida pela inteligência, conservada na memória e vivida pela vontade.
Pelas realidades e bens que envolvem, a instrução religiosa na verdadeira religião possui importância vital para o homem e, abaixo dela, a instrução filosófica na verdadeira filosofia tem grande valor. A este respeito, por exemplo, Santa Edith Stein diz sobre Santo Tomás de Aquino: “Uma ‘filosofia cristã’ considerará como sua mais nobre tarefa preparar o caminho da fé. Por essa razão, santo Tomás colocava tanto empenho em construir uma filosofia pura fundada na razão natural: porque somente dessa maneira se dá um trajeto do caminho comum com os incrédulos; se eles aceitam caminhar conosco esse trajeto do caminho, talvez se deixassem guiar mais longe do que teriam pensado no começo”.
São instruções que trazem sentido e compreensão para espíritos com potência de conhecer. Para estes, naturalmente a instrução é adquirida no tempo e, no que depende de sua vontade, deve permanecer no tempo.
