
Na Sagrada Escritura é dito: “Naquele tempo, Jesus atravessava cidades e povoados, ensinando e prosseguindo o caminho para Jerusalém. Alguém lhe perguntou: “Senhor, é verdade que são poucos os que se salvam?” Jesus respondeu: “Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita. Porque eu vos digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão. Uma vez que o dono da casa se levantar e fechar a porta, vós, do lado de fora, começareis a bater, dizendo: ‘Senhor, abre-nos a porta!’ Ele responderá: ‘Não sei de onde sois.’ Então começareis a dizer: ‘Nós comemos e bebemos diante de ti, e tu ensinaste em nossas praças!’ Ele, porém, responderá: ‘Não sei de onde sois. Afastai-vos de mim todos vós que praticais a injustiça!’ Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, Isaac e Jacó, junto com todos os profetas no Reino de Deus, e vós, porém, sendo lançados fora. Virão homens do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e tomarão lugar à mesa no Reino de Deus. E assim há últimos que serão primeiros, e primeiros que serão últimos”.” (Lc 13,22-30)
O divino Jesus, o Homem-Deus, diz isto a respeito da salvação, dos que serão salvos e, consequentemente, dos que serão condenados. Isto quer dizer que o caminho da salvação é exigente, e sob certo aspecto, que não exclui a graça, deve ser trilhado com a meta do melhor bem a ser conquistado. A este respeito, Santa Edith Stein diz: ““Tratávamos de entender qual parte tem a liberdade na obra da redenção. (…) A graça é o espírito de Deus que se abaixa à alma do homem. Não pode encontrar morada nela se não for acolhida livremente. Esta é uma dura verdade. Significa – além da mencionada barreira à onipotência divina – a possibilidade de autoexclusão, por princípio, da redenção e do reino da graça. (…) Cada um é responsável por sua própria salvação, uma vez que pode alcançá-la mediante a colaboração de sua liberdade, e não sem ela.”
E Santo Tomás de Aquino diz: “O prêmio da virtude é a felicidade, que é dado ao homem pela liberdade divina. Pertence pois a Deus não dar a felicidade a felicidade aos que age contra a virtude, mas dar-lhes em pena o contrário, ou seja, a miséria eterna”. (“Compêndio de Teologia”)
