“Enquanto em outros lugares não existe a fé, ou existe misturada com muitos erros, a Igreja de Pedro permanece na fé”

Quanto à quarta característica, sabemos que a Igreja é firme. Uma casa é chamada de firme quando, antes de tudo, está sobre bons alicerces. Ora, o principal fundamento da Igreja é Cristo, conforme afirma o Apóstolo: “Ninguém poderá por outro fundamento senão o que já foi posto, que é Jesus Cristo” (1 Cor 3, 11). O fundamento secundário são os Apóstolos e a doutrina deles. Por esse motivo ela é também firme. Está escrito no livro dos Apocalipse que a cidade tem doze fundamentos, e que neles estavam escritos os nomes dos doze Apóstolos (cf. Ap 21, 14). Eis porque também se diz que a Igreja é apostólica. Para mais bem significar a firmeza da Igreja, S. Pedro foi chamado o seu chefe.

Verifica-se, em segundo lugar, a firmeza da Igreja, porque se ela for abalada, não poderá ser destruída. A Igreja jamais poderá ser destruída. Não a destruíram os perseguidores. Pelo contrário, ela cresceu ainda mais durante as perseguições, e os que a perseguiram, bem como os que ela combatia é que tombaram. Lê-se: “O que cair sobre esta pedra, quebrar-se-á; sobre quem ela cair, será esmagado” (Mt 21, 44).

Os erros não a destruíram. Pelo contrário: quanto mais os erros proliferavam, tanto mais era a verdade manifestada. Lê-se: “Os homens de espírito corrompido, pervertidos na fé, mas não irão além” (2 Tm 2, 8).

Nem as tentações do demônio a destruíram. A Igreja é como uma torre na qual se refugia todo o que luta contra o diabo. Lê-se: “É uma torre fortíssima, a casa do Senhor” (Pr 18, 10). Por isso, acima de tudo, o diabo se esforça para destruí-la, mas não prevalecerá, porque está escrito: “E as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16, 8). É a repetição do que já foi falado por Jeremias: “Lutarão contra si, mas não prevalecerão” (Jr 15, 20).

Eis porque só a Igreja de Pedro (a quem couber pregar o Evangelho por toda a Itália) sempre foi firme na fé. Enquanto em outros lugares não existe a fé, ou existe misturada com muitos erros, a Igreja de Pedro permanece na fé, e está purificada dos erros. Isso não pode ser motivo de admiração, porque o Senhor mesmo disse a Pedro: “Roguei por ti, para que tua fé não desfaleça” (Lc 22, 32) 6.” (Santo Tomás de Aquino, sobre o Credo Apostólico)

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