
O verdadeiro profeta é um homem de Deus que fala em nome de Deus por vontade do próprio Deus, de modo que, neste ofício de divino mensageiro, suas palavras são sempre verdadeiras e cheias de bondade. Assim, por exemplo, é dito ao profeta Jeremias: “Vamos, põe a roupa e o cinto, levanta-te e comunica-lhes tudo que eu te mandar dizer: não tenhas medo, senão, eu te farei tremer na presença deles” (Jr 1,17).
Como ensina Santo Tomás, justiça é fazer o bem e evitar o mal. Isto inclui afirmar a verdade e negar a falsidade. Cristo, o Justo dos justos, o Profeta dos profetas, disse: “É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz” (Jo 18,37).
Na luta entre a luz e as trevas, o profeta é um homem de combate pela verdade e pela verdadeira religião, tal como querida e ensinada por Deus. Isto vale para Jeremias, pois é dito: “Com efeito, eu te transformarei hoje numa cidade fortificada, numa coluna de ferro, num muro de bronze contra todo o mundo, frente aos reis de Judá e seus príncipes, aos sacerdotes e ao povo da terra; eles farão guerra contra ti, mas não prevalecerão, porque eu estou contigo para defender-te” (Jr 1,18-19). E vale para São João Batista, que, como glória do martírio, foi degolado por causa do ódio à suas palavras, segundo está escrito: “João dizia a Herodes: “Não te é permitido ficar com a mulher do teu irmão”. Por isso Herodíades o odiava e queria matá-lo, mas não podia. (…) Ela saiu e perguntou à mãe: “O que vou pedir?” A mãe respondeu: “A cabeça de João Batista” (…) Imediatamente, o rei mandou que um soldado fosse buscar a cabeça de João. O soldado saiu, degolou-o na prisão, trouxe a cabeça num prato e a deu à moça. Ela a entregou à sua mãe.” (Mc 6,17-29)
