
São Paulo Apóstolo diz que a fé é a certeza daquilo que não se vê (Hebreus 11,1). Assim, de certo modo a fé é certeza e há a certeza da fé. Naturalmente, quanto ao mesmo, a certeza e dúvida se excluem, enquanto opostos contraditórios que se negam mutuamente, como sim e não.
O Papa Pio XII diz que “a fé consiste em ter por verdadeiro o que Deus revelou e por meio da Igreja mandar crer”. Verdadeiro é o que corresponde à realidade objetiva. Na certeza da fé é dito sim à verdade revelada, aceita como tal sem temor de erro, enquanto na dúvida este sim é negado como única opção e o não é aceito como possibilidade, e assim aquele de duvida oscila entre os dois, sem adesão a nenhum. Desse modo, a dúvida é negação da fé, quem dúvida não crê realmente. E se a fé é ato da vontade livre, crer é querer crer e não crer é não querer crer. Por isso, como ato da liberdade, no crer há responsabilidade pelo bem ou mal feito, com as devidas retribuições da justiça divina distributiva, não sem antes ter Deus oferecido as bondades de sua Misericórdia. A este respeito, por exemplo, o Divino Jesus disse a certos fariseus de sua época: “Por isso, vos disse: morrereis no vosso pecado; porque, se não crerdes o que eu sou, morrereis no vosso pecado. “Quem és tu?” – perguntaram-lhe eles então. Jesus respondeu: “Exatamente o que eu vos declaro”.” (Jo 8,24-25)
Como estado da mente, ante algo há uma dupla negação possível, uma das quais é a negação dúvida, na qual se diz que pode não ser verdadeiro aquilo que é afirmado como tal. Assim, é uma negação da certeza da verdade, pela aceitação da possiblidade da falsidade, e vice-versa. A outra negação é negar a verdade de algo pela afirmação da certeza da falsidade, e vice-versa. Nas duas há o não, e por isso negação, porém de modos distintos e excludentes. No caso, os dois se opõem à certeza da verdade da fé, aos dogmas da verdadeira religião, e são modos de incredulidade, com privações dos bens da fé verdadeira, que conduz ao Sumo Bem.
