
Na verdadeira religião, os conteúdos da fé são realidades reveladas por Deus ao homem. Com relação a elas, o Deus Onisciente é aquele que sabe e o homem é aquele que não sabe, e por isso Deus é aquele que ensina e o homem é aquele que aprende. A este respeito, deve ser considerado o que Santa Edith Stein diz: “Aceitando a fé segundo o testemunho de Deus, adquirimos conhecimento sem compreendê-los; não podemos aceitar as verdades da fé como evidentes, como verdades necessárias da razão ou como fatos da percepção dos sentidos: não podemos, tampouco, deduzi-las de verdades imediatamente evidentes segundos as leis da lógica. Eis porque a fé se chama “luz escura”.”
No entanto, São Pedro Apóstolo: estais sempre preparados pra dar as razões de sua fé (1 Pd 3,15). E a isto correspondem os motivos de credibilidade da fé católica, entre os quais estão múltiplos indícios externos, que dão a certeza da origem divina da religião cristã. Como razões de credibilidade, pelas legítimas exigências da razão, e assim sem fideísmo nem racionalismo, devem ser considerados os milagres, entre eles os milagres eucarístico e os milagres de aparições marianas, cientificamente averiguados como fatos reais, além das profecias cumpridas, a vida extraordinária dos santos, a coerência e luminosidade da doutrina, a grandeza da moral, como moralidade sobrenatural, a perduração histórica da Igreja perante inúmeros ventos destruidores, as grandes mentes a seu favor, e assim por diante.
Catolicamente, como ensinam os mestres da religião revelada, a adesão da fé não é um movimento cego do espírito, num puro fideísmo, imprudente, contrário à razão, a qual dentro de certos limites naturais permite ao homem discernir o verdadeiro e o falso. Se há a certeza da fé, por causa da autoridade de Deus revelador e pelo auxílio do Espírito Santo, também há a certeza da razão, dentro dos princípios universais do ser, verdades absolutas, entre eles o princípio de não contradição, e há a certeza da experiência, pelos sinais exteriores dados por Deus, como que argumentos externos da revelação, e pelas experiências pessoais discernidas corretamente, a exemplo das experiências da Providência divina, que governa todas as coisas.
