
Em Provérbios é dito: “Aquele que ama a correção ama a ciência, mas o que detesta a correção é um insensato” (12,1).
A correção supõe o correto e o incorreto, o bem e mal, o verdadeiro e o falso, e supõe que o correto deve prevalecer sobre o incorreto, o bem sobre o mal e o verdadeiro sobre o falso. Sem realidade objetiva com valores objetivos, a correção como algo positivo não faria sentido e teria significado meramente subjetivo, equivalente ao seu oposto, porque no subjetivismo há necessariamente um princípio de equivalência no qual o que é dito bom ou verdadeiro vale tanto quanto o que é dito mau ou falso. Nele, a insensatez vale tanto quanto a sabedoria.
Aquele que ama a ciência, que é o mesmo que amar a verdade como bondade, quer que ela prevaleça sobre seus opostos, e por isso ama a correção, que serve a este fim, que o faz passar de um estado negativo de ausência para um estado positivo de presença. Nem tudo que está na mente de um homem comum é necessariamente falso nem necessariamente verdadeiro; e ele pode se enganar, mas também pode ser corrigido, colocado no que é correto, conforme a realidade objetiva das coisas.
Quem detesta a correção é um insensato, que age contra a razão, capaz de discernimento natural ou informada por palavra divina, que diz o bem e o melhor ou o mal e o pior, o verdadeiro e o falso, o correto e o incorreto. Fazer isto é ir contra o princípio da sabedoria prática segundo o qual o homem deve fazer o bem e evitar o mal, porque além de ser bondade em si e maldade em si, o bem é fonte de bens e o mal fonte de males, enquanto privação do bem. Neste caso, o insensato que rejeita a correção age contra si mesmo ao privar-se do bem e seus frutos, prefere o mal e o pior em vez do bem e o melhor.
