
Santo Agostinho diz que um dos principais obstáculos para o conhecimento da verdade é a corrupção dos costumes, que é outro nome para a maldade moral, para uma vida vivida habitualmente com atos contrários a valores moralmente relevantes, como a justiça, que exigem do homem uma resposta adequada, o dever moral.
A corrupção está para o negativo e imperfeito e os costumes estão para os atos do homem, moralmente avaliáveis segundo a ordem moral objetiva que há no ser, fundamentada no Valor Absoluto, Deus mesmo.
O estado de corrupção moral é um obstáculo para o conhecimento das verdades superiores que a mente humana pode alcançar. Isto quer dizer que há um vínculo entre o conhecimento da verdade inteligível (ou sabedoria em certo sentido) e as virtudes que predispõem o homem a ela.
Como diz o filósofo espanhol Millán-Puelles, entre tais virtudes, que predispõem ao interesse pela verdade, a primeira é a humildade, cujo contrário é a soberba, entendida em sua realidade objetiva como certa autossuficiência, de modo que o soberbo se crê autossuficiente (ignorando a verdade da insuficiência humana, inclusive com relação à verdade). Outra importante virtude é a docilidade, cujo oposto é a indocilidade, que consiste em não se deixar ensinar, em ter o próprio juízo como medida de todas as coisas, um “egocentrismo da razão”. A humildade permite a docilidade, portanto o aprendizado da verdade, enquanto a autossuficiência leva à indocilidade, embora não de modo absoluto, mas em graus variáveis, sempre aquém do possível crescimento da consciência pela posse da verdade. Neste sentido, por exemplo, o relativismo, a ideia de que “cada um tem a sua verdade”, é falsa humildade, e na realidade é soberba.
Em sua carta aos Romanos (2,5-8), São Paulo Apóstolo diz: “Mas com a tua dureza e coração impenitente acumulas para ti um tesouro de ira para o dia da ira e da manifestação do justo juízo de Deus, que há-de dar a cada um segundo as suas obras: (dará) a vida eterna aos que, perseverando na prática do bem, buscam a glória, a honra e a imortalidade; (dará) ira e indignação aos que são pertinazes, indóceis à verdade, mas dóceis à injustiça…”.
