
Uma verdade absoluta é que nada pode causar a si mesmo, o que equivale a dizer que nada pode ser efeito de si mesmo, por uma razão simples: para causar a si mesmo teria de existir antes de existir, o que é impossível, segundo o inegável princípio de não contradição, uma lei do ser e da razão humana.
Santo Tomás, em considerações da pura razão, ensina que compete a Deus ser o princípio do ser das coisas. Entre as razões apresentadas por ele, duas são: “2. Verificou-se acima, pela demonstração de Aristóteles, que existe uma primeira causa eficiente, que chamamos de Deus. Ora, a causa eficiente conduz os seus efeitos ao ser. Logo, Deus existe como causa do ser das coisas. (…) 5. Além disso, quanto mais perfeito for o princípio de ação de uma coisa, tanto mais poderá ela estender a sua ação a muitas coisas distantes. O fogo, por exemplo, se for fraco, aquece só o que está perto dele; sendo mais forte, aquecerá também o que está distante. Ora, o ato puro, que é Deus, é mais perfeito que o ato com mistura de potência, como é o nosso. O ato, com efeito, é o princípio da ação. Ora, pelo ato que possuímos, temos poder não só sobre as ações que permanecem em nós, como são a intelecção e a volição, mas também sobre as ações que tendem para o exterior, pelas quais produzimos alguns efeitos. Portanto, a Deus, que está em ato, compete muito mais não só ter intelecção e volição, como também produzir algum efeito. E assim Deus pode ser a causa do ser das coisas”.
E no livro de Jó é dito: “Que faz coisas grandes, admiráveis, insondáveis e inumeráveis” (5, 9).
