
Na Sagrada Escritura é dito: “Vai, ó preguiçoso, ter com a formiga, observa seu proceder e torna-te sábio: ela não tem chefe, nem inspetor, nem mestre; prepara no verão sua provisão, apanha no tempo da ceifa sua comida. Até quando, ó preguiçoso, dormirás? Quando te levantarás de teu sono? Um pouco para dormir, outro pouco para dormitar, outro pouco para cruzar as mãos no seu leito, e a indigência virá sobre ti como um ladrão; a pobreza, como um homem armado” (Provérbios 6,6-11).
Dentro das possibilidades de bem e de mal no homem estão a virtude e o vício. A virtude é um hábito operativo bom, que corresponde ao que o homem deve ser, e o vício é um hábito operativo mau, que corresponde ao que o homem não deve ser. O bem do homem está no caminho da virtude, que é fonte de bens relevantes, e não no caminho do vício, que é fonte de males.
O preguiçoso é aquele que tem o hábito da preguiça, algo que o rebaixa e limita e lhe priva de bens importantes. Por isso é dito no provérbio que para o preguiçoso frutos de sua preguiça habitual é a indigência que vem como ladrão, a pobreza que vem como homem armado, isto é, para lhe causar dano e contra o qual não pode lutar.
A formiga, em seu proceder, é apresentada como exemplo para o preguiçoso, enquanto, sem a condução de outros, realiza o trabalho devido e colhe seus frutos no tempo conveniente, de modo que para ela não há indigência. Em sua preferência desordenada pelo agradável e pela comodidade, o preguiçoso tem certa aversão ao trabalho, ao esforço, e por isso quanto à execução dos atos tende a ser procrastinador, lento e negligente, o oposto da formiga. A preguiça repugna o trabalho corporal, o esforço pessoal, exigido para se obter certos bens, entre eles bens espirituais.
Enquanto a formiga trabalha devidamente, o preguiçoso “dorme” indevidamente. A formiga aproveita bem o seu tempo, enquanto o preguiçoso aproveita mal. Em tudo isso, para o preguiçoso está reservada a indigência e para a formiga, não. A sabedoria está na formiga, enquanto certo símbolo para o homem, e não no preguiçoso com sua preguiça degradante.
