
Na Sagrada Escritura é dito: “Feliz do homem que encontrou a sabedoria, daquele que adquiriu a inteligência, porque mais vale este lucro que o da prata, e o fruto que se obtém é melhor que o fino ouro” (Provérbios 3, 13-14).
Os Provérbios, como Sagrada Escritura, é palavra de Deus, contém ensinamentos divinos para o homem, daquele que é a Verdade fonte de toda verdade, a Bondade fonte de todo bem, que não engana nem se engana. Porém, é palavra de Deus em linguagem humana, para os homens naquilo que são por natureza e nas circunstâncias em que estão, de modo que devem ser corretamente entendidos, naqueles sentidos queridos por Deus, nos quais estão as verdades ensinadas.
Na realidade objetiva, à multiplicidade no ser (ou dos entes) corresponde uma multiplicidade de bens e uma ordem de importância entre eles, a qual deveria corresponder a ordem de preferência de cada homem. O provérbio em questão é um exemplo disso, porque diz que a sabedoria, ou a inteligência, e seus frutos, valem mais do que qualquer ouro (e poderia ser dito qualquer dinheiro), e assim feliz é o homem que encontrou a sabedoria, que adquiriu a inteligência, no sentido que possuem nesta palavra de Deus. Na verdadeira sabedoria e na verdadeira inteligência há necessariamente um senso da realidade objetiva, o reconhecimento da verdade, porque toda sabedoria é sabedoria do ser.
Na ordem real das coisas, há o bem e o melhor e há o mal e o pior. Pelas palavras de Cristo, o pior dos males para o homem é o inferno perpétuo, lugar dos insensatos que preferiram os ouros carnais, e o melhor dos bens para o homem é o Céu eterno, no qual há plenitude de sabedoria com plenitude de felicidade, pois é visão de Deus “face a face”. Assim, o divino Jesus diz: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo” (Mt 6, 33).
