Para ser esperado, algo exige ser desejado

Ao falar sobre a esperança, uma das virtudes cristãs, Santo Tomás considera nela algumas coisas que lhe são essencialmente necessárias, porque pertencem à sua essência, e assim faz com que ela seja o que é, e porque não poderia ser de outro modo, portanto sem as quais jamais haveria. Ou seja: sem isto não há esperança. Duas delas são as seguintes.

Primeiro, a esperança supõe necessariamente desejo, de modo que, para ser esperado, algo exige ser desejado. Se não há desejo, não há esperança. E o que não é desejado, ou é temido, ou é desprezado, ou recebe indiferença. Quem deseja, sempre deseja algo, e algo enquanto bem, e assim, quem espera, espera algum bem.

Segundo, é necessário que a coisa esperada seja considerada possível de adquirir, porque o impossível de adquirir é o que não se pode obter de modo algum. No caso, o homem pode ter o desejo dessas coisas consideradas impossíveis de obter, mas não pode delas ter esperança. Assim, vê-se que na esperança algo está somado ao desejo que ela supõe, que a possibilidade de obtenção da coisa desejada.

Sobre a esperança, na Sagrada Escritura é dito: “Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos eleitos que são estrangeiros e estão espalhados no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia – eleitos segundo a presciência de Deus Pai, e santificados pelo Espírito, para obedecer a Jesus Cristo e receber a sua parte da aspersão do seu sangue. A graça e a paz vos sejam dadas em abundância. Bendito seja Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Na sua grande misericórdia ele nos fez renascer pela Ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma viva esperança, para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada para vós nos céus; para vós que sois guardados pelo poder de Deus, por causa da vossa fé, para a salvação que está pronta para se manifestar nos últimos tempos”. (I São Pedro 1,1-5)

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