
Em Provérbios é dito: “Seis coisas há que o Senhor odeia e uma sétima que lhe é uma abominação: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, um coração que maquina projetos perversos, pés pressurosos em correr ao mal, um falso testemunho que profere mentiras e aquele que semeia discórdias entre irmãos”. (6,16-19)
Uma verdade absolutamente certa sobre Deus é que Ele, enquanto Bondade puríssima, ama o bem e odeia o mal, ama a virtude e detesta o vício. Certamente, Deus não é indiferente à bondade e a maldade moral realizadas pelas criaturas inteligentes, que possuem capacidade de discernimento, e assim livres, com capacidade de escolha entre possibilidades contrárias, e por isso potencialmente responsáveis pelo bem ou mal que causam, iniciadores de cadeias de causalidades, com frutos benéficos ou maléficos.
Na demonstração de que é impossível haver mal em Deus, Santo Tomás diz: “Além disso, o que é oposto à essência de uma coisa não lhe pode de modo algum convir enquanto ela permanece; assim, não pode convir ao homem a irracionalidade ou a insensibilidade, a não ser que cesse de ser homem. Ora, a essência divina é a própria bondade, conforme se demonstrou. Logo, o mal, que é oposto ao bem, só poderia haver em Deus caso ele deixasse de ser. Mas isto é impossível, pois Deus é eterno, consoante acima ficou demonstrado”. (em “Suma contra os Gentios”).
