
No livro “Nossa Transformação em Cristo”, o filósofo católico Dietrich von Hildebrand, observa que na vida cristã, no processo interior de transformação em Cristo, é importante o exercício da verdadeira consciência, em oposição às espécies de falsa consciência, perversões que são obstáculos para a posse de bens objetivos relevantes. A falsa consciência, enquanto perniciosa, pode destruir a vida interior de uma pessoa, de modo que é necessário eliminá-la, ou evitá-la ao máximo, afastando-a totalmente.
Um tipo de falsa consciência maléfica é aquela quando um homem faz incidir sua atenção continuamente sobre si mesmo, que a todo momento é espectador de si mesmo, que presta excessiva atenção sobre suas reações. Isto se opõe à verdadeira consciência, porque ela, enquanto intencional, deve fixar-se totalmente no objeto que se apresenta, sem que se atenda para a própria atuação, de modo que há nisso um certo “esquecimento de si mesmo”. E só assim pode o homem estabelecer um contato real com as coisas e com seu logos objetivo.
Portanto, na direção intencional para o objeto, como é próprio da mente humana, a pessoa deve ter total atenção sobre ele, sem atender para a própria atuação, esquecendo de si.
Cristo, o Logos encarnado, diz: “Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mt 16,24).
