
Eis uma verdade absoluta: nada pode causar a si mesmo. Isto equivale a dizer que nada pode ser efeito de si mesmo.
Uma razão simples que exige reconhecê-lo. Para algo causar a si mesmo seria necessário existir antes de existir, sob o mesmo aspecto, o que é impossível, por haver nisto autocontradição; e o que é absolutamente impossível, como um círculo quadrado, não pode existir de modo algum.
Em síntese: pelo indestrutível princípio de não contradição, nada pode causar a si mesmo. Negá-lo é ir contra a razão, em um de seus princípios fundamentais, sem o qual nada poderia ser afirmado, é ir contra as experiências humanas mais evidentes e ir contra o ser, em uma de suas leis universais imutáveis.
Em sua “Suma contra os Gentios”, Santo Tomás diz: “(…) Ora, o conhecimento dos princípios naturais evidentes é infundido em nós por Deus, pois Deus é o autor da natureza. Por conseguinte, esses princípios estão também contidos na sabedoria divina. Assim também, tudo o que é contrário a eles contraria a sabedoria divina e não pode estar em Deus. Logo, as verdades recebidas pela revelação divina não podem ser contrárias ao conhecimento natural”.
Assim, em Números é dito: “Deus não é homem para mentir, nem alguém para se arrepender. Alguma vez prometeu sem cumprir? Por acaso falou e não executou?” (23,19). E São João Apóstolo diz: “Caríssimos, não deis fé a qualquer espírito, mas examinai se os espíritos são de Deus, porque muitos falsos profetas se levantaram no mundo. Nisto se reconhece o Espírito de Deus: todo espírito que proclama que Jesus Cristo se encarnou é de Deus; todo espírito que não proclama Jesus esse não é de Deus, mas é o espírito do Anticristo de cuja vinda tendes ouvido, e já está agora no mundo.” (4,1-3).
