
Em Provérbios é dito: “Seis coisas há que o Senhor odeia e uma sétima que lhe é uma abominação: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, um coração que maquina projetos perversos, pés pressurosos em correr ao mal, um falso testemunho que profere mentiras e aquele que semeia discórdias entre irmãos”. (6,16-19)
Língua mentirosa equivale a agir contra o verdadeiro, contra o devido respeito pela verdade, ao seu valor intrínseco, à sua importância objetiva, enquanto algo que pertence a Deus, que é a Verdade puríssima fonte de todas as verdades. Assim, a língua mentirosa é uma língua que traz um desrespeito por aquilo que é a voz da realidade e o bem da inteligência.
Este é o caso, por exemplo, do mentiroso astuto, “que não se importa nada de afirmar o contrário da verdade, desde que lhe convenha aos objetivos, que se propõe enganar os outros por algum interesse egoísta. (…) O verdadeiro mentiroso está ciente de que mente. Sabe que ignora a realidade” (Dietrich von Hildebrand). Assim, a língua mentirosa é a língua da falsidade maliciosa para fins egoístas, contra o amor a Deus e o amor ao próximo, sem o devido respeito pela bondade da verdade, que é bem fonte de bens, próprio da ordem divina do ser.
Certa vez Jesus disse a alguns judeus: “Se Deus fosse vosso pai, vós me amaríeis, porque eu saí de Deus. É dele que eu provenho, porque não vim de mim mesmo, mas foi ele quem me enviou. Por que não compreendeis a minha linguagem? É porque não podeis ouvir a minha palavra. Vós tendes como pai o demônio e quereis fazer os desejos de vosso pai. Ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira. Mas eu, porque vos digo a verdade, não me credes”. (Jo 8,42-45)
E no salmo 33 é dito: “Guarda tua língua do mal, e teus lábios das palavras enganosas. Aparta-te do mal e faze o bem, busca a paz e vai ao seu encalço”.
