“Quem não crer será condenado”

Cristo disse: “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Marcos 16,16). Com relação à verdadeira fé divina, podem ser considerados os seguintes pontos importantes:

(I) A GRAÇA DA FÉ, enquanto dom que vem de Deus, enquanto virtude sobrenatural infundida por Deus, o qual é a fonte de todos os bens; (II) O ATO DE FÉ, enquanto ato humano que implica a inteligência e a vontade, que decide com liberdade de escolha e é responsável pelo bem ou mal que feito; (III) a LIBERDADE DA FÉ, enquanto o homem não é forçado a crer mas livremente colabora ou não com a graça divina, no sentido daquilo que diz Santo Agostinho, de que “o Deus que te criou sem ti não te salvará sem ti”; (IV) a NECESSIDADE DA FÉ, enquanto necessária para a salvação, segundo as palavras de Cristo, e sem a qual é impossível agradar a Deus (Hb 11,6); (V) a OBEDIÊNCIA DA FÉ, enquanto deve ser mostrada como viva e verdadeira pelas realização das obras mandadas ou aconselhadas diretamente por Cristo e pelas autoridades que ele instituiu em sua verdadeira Igreja, como seus ministros, seus representantes, a começar pelos Apóstolos; (VII) a CERTEZA DA FÉ, enquanto modo de conhecimento certo, que exclui a dúvida, cujo conteúdo são verdades reveladas, ciência comunicada por Deus, que não engana nem se engana; (VIII) os MOTIVOS DA FÉ, enquanto suas verdades são aceitas como tais não por serem evidentes à luz da razão humana e sim por causa da autoridade do Deus que revela, no qual não há falsidade possível, como ensina dogmaticamente o Concílio Vaticano I, em exercício de autoridade do Magistério da Igreja, o mesmo que fala também dos motivos de credibilidade da fé, como os milagres, que, enquanto modo de confirmação da verdade, são como que “argumentos exteriores” da fé, a qual não pode ser provada pela razão porque excede esta mesma razão; (IX) os PREÂMBULOS DA FÉ, enquanto são aquelas verdades que a razão humana pode naturalmente alcançar e demonstrar, como a existência de Deus e certos atributos seus, a existência da verdade absoluta, a existência dos primeiros princípios imutáveis, como o inegável princípio de não contradição, a capacidade humanada de conhecer a realidade, a existência da alma espiritual no homem, a existência da livre arbítrio na pessoa humana, a existência da moralidade objetiva, como a lei natural, etc.; verdades naturais que as sobrenaturais supõem, cuja negação é obstáculo para a fé e cuja devida aceitação concorre para a fé, no sentido de a razão humana ter razões que mostram objetivamente que é razoável crer naquilo que está acima da razão, porém jamais contra ela, como algo que excede sua capacidade natural, na medida em que é naturalmente finita, embora de alcance relativamente abrangente na totalidade do ser.     

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