A verdade, a salvação e a disposição de mudar

Cristo disse: “Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não crê no nome do Filho único de Deus. Ora, este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, pois as suas obras eram más. Porquanto todo aquele que faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas aquele que pratica a verdade vem para a luz. Torna-se assim claro que as suas obras são feitas em Deus”. (Jo 3,18-21)

Dentro da moralidade objetiva, fundada na Bondade absoluta, que é Deus, um princípio básico é aquele segundo o qual o homem deve fazer o bem e evitar o mal. As más obras é o mal feito e as boas obras é o bem feito. A luz está para a verdade e a bondade enquanto as trevas estão para a falsidade e a maldade. A luz que veio ao mundo é Cristo, a Sabedoria encarnada, cheio de graça e de verdade; e veio para fazer os homens passarem do mal, das trevas do pecado, para o bem, e por isso disse: “convertei-vos e crede no evangelho” e “nasci e vim ao mundo para dar testemunho da verdade”.

O julgamento é este: como obra má, como culpa pelo mau livremente feito, aqueles que rejeitaram a graça, permanecendo em seus pecados mortais, sem se converterem, perecerão como condenados. E é pelo amor próprio egoísta, cheio de orgulho e aversão à verdade, que rejeitaram a luz da vida. Mas aquele que pratica a verdade, e é da verdade, aceita a luz e se deixa iluminar por ela, com o fruto das boas obras em Deus. O filósofo católico Dietrich von Hildebrand diz: “Todo homem que tende a uma elevação moral está convencido da necessidade de lutar consigo mesmo, para desse modo chegar a modificar-se e a desenvolver-se. Também nele vive – ao contrário do que acontece com o que se abandona e vai para onde o seu temperamento conduz – uma certa disposição de mudar. Sem essa disposição não pode surgir nenhum enriquecimento espiritual ou moral”. E Santo Agostinho diz: “Porque a verdade gera o ódio? Por que é que os homens têm como inimigo aquele que prega a verdade, se amam a vida feliz, que não é mais que a alegria vinda da verdade? Talvez por amarem de tal modo a verdade que todos os que amam outra coisa querem que o que amam sejam verdade. Como não querem ser enganados, não se querem convencer de que estão no erro. Assim, odeiam a verdade, por causa daquilo que amam em vez da verdade. Amam-na quando os ilumina, e odeiam-na quando os repreende”.

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