Princípio: o sentido certo da Sagrada Escritura e os resultados certos da ciência

Em certo sentido, princípio corresponde ao que deve ser. Como ensinam alguns estudiosos, um princípio evidente na relação entre as afirmações da Sagrada Escritura e as afirmações da ciência é que o confronto deve ser entre o sentido certo da Escritura e os resultados certos da ciência. Para que prevaleça a verdade, o bem da inteligência, fundamental para a vida humana, isto deve ser assim porque é certo que um sentido falso da Escritura não pertence à Escritura e as afirmações meramente hipotéticas das ciências podem ser falsas. Porque o falso com o falso resulta no falso, o hipotético com o hipotético resulta no hipotético e o verdadeiro com o verdadeiro resulta no verdadeiro, o valor das afirmações em ambas deve ser considerado, quando confrontadas.  

Com relação à Escritura, convém considerar a distinção entre a realidade afirmada e modo de afirmação, pois nela há uma diversidade de modo de dizer as coisas, especialmente as coisas espirituais. O modo de dizer da Sagrada Escritura é diverso até para a mesma realidade. Por exemplo, quando fala do poder de Deus. Assim há o modo dito em Deuteronômio (5,15) “Lembra-te de que foste escravo no Egito, de onde a mão forte e o braço poderoso do teu Senhor te tirou” – e há o modo dito em Lucas (1,37): “Gabriel responde: ‘Porque para Deus nada é impossível’.”

Pela unidade da verdade, que é a unidade de Deus, a unidade do Ser, a unidade do Logos por meio do qual, ao modo de semelhança, tudo foi criado, o que é verdadeiramente evidente não pode ser negado pela Sagrada Escritura e vice-versa. Se há tal negação, ela só pode ser aparente, ou porque algo é enganosamente considerado verdade evidente, ou porque um sentido é enganosamente considerado como o sentido da Escritura, ou porque houve confusão. A realidade e a Sagrada Escritura são obras de Deus, e não podem se contradizer, pois em Deus não há contradição, não há absurdos, não há o sem-sentido, dado que Ele é o Logos, a plenitude do sentido, a pura Inteligência, a Razão Suprema, o Ser puríssimo com todo o seu imensurável esplendor e Beleza.

Neste sentido, se as palavras da Sagrada Escritura, quando corretamente compreendidas em seus verdadeiros significados, são palavras divinas que dizem verdades importantes, então tudo o que contradiz tais palavras só pode ser falso, e neste caso deve ser rejeitado, não deve ser acolhido, porque o valor, a bondade, está sempre na verdade.

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