A unidade é própria da essência

Pelo princípio de não contradição, que afirma a impossibilidade absoluta do ser e não-ser simultâneos sob o mesmo aspecto, todo ser exige um mínimo de unidade essencial, e neste sentido todo ser é um. A relação só há no ser, em oposição ao nada, e é pluralidade que exige a unidade, pois toda pluralidade (ou multiplicidade) é pluralidade de coisas, no sentido de que são algo, e enquanto são o que são, necessariamente são unas, seja com simplicidade absoluta, como é o caso exclusivo de Deus, seja com composição, quando modos de ser distintos formam uma unidade, como o homem, que é uma união de corpo e alma espiritual, de animalidade e racionalidade.

A unidade é própria da essência, enquanto aquilo que faz com que uma coisa seja ela e não outra, como os três lados no triângulo e os quatro lados iguais no quadrado. Há a essência comum da triangularidade dos triângulos e da quadrangularidade dos quadrados, assim como há a essência comum da singularidade dos singulares e da humanidade dos humanos.

Diz Santo Tomás de Aquino: “Quando uma coisa se atribui outra é necessário atribuir àquela tudo o que for da essência desta; por exemplo, a quem se atribuir o ser humano há de se lhe atribuir o racional”.  Na Sagrada Escritura é dito: Ouve, ó Israel! O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor” (Deuteronomio 6,4) e “(….) para nós, há um só Deus, o Pai, do qual procedem todas as coisas e para o qual existimos, e um só Senhor, Jesus Cristo, por quem todas as coisas existem e nós também” (1 Cor 8,6).

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