
Jesus, assim como João Batista, quis ter discípulos e batizar pessoas. Por quê? Se a vontade está para o bem, que é seu objeto próprio, como diz Santo Tomás, então há algo de bom no “ser discípulo” e no “ser batizado”. Todo discípulo é discípulo de algum mestre, ou é aprendiz de algum professor, de modo que aqui o tema central é o ensino e a aprendizagem e, por relação, o tema da verdade.
A verdade é o bem da inteligência e a falsidade, o seu mal. Sendo assim, ela é o bem do homem enquanto “animal racional”, um ser vivente dotado de inteligência espiritual. Ao ter discípulos, Jesus e João querem para eles o bem da verdade conhecida e obedecida, o que é fonte de outros bens, especialmente da felicidade, que é o bem em razão do qual o homem quer ou deseja todos os bens. O mesmo vale para o batismo, enquanto faz passar do mal para o bem, ou do bem inferior para o bem superior.
Sobre o amor no homem, Santo Tomás diz que nosso amor para com a pessoa amada “nos faz querer que tal se conserve o bem que possui e se lhe acrescente o que não possui; e para isso cooperamos”. João devia ser ouvido pelo que era — um profeta enviado pelos céus — e pelo que falava: palavras verdadeiras de sua pregação inspirada, palavras divinas benéficas para aqueles que as escutassem. E Jesus devia ser ouvido e seguido pelo que é — o Filho encarnado enviado pelo Pai eterno — e pelo que falou, isto é, por suas palavras de vida eterna para a salvação dos homens pela união sem fim com Deus, o Sumo Bem imutável, o melhor dos bens. João é um homem de Deus e Jesus é o homem-Deus; numa relação de subordinação entre o inferior e o superior, ambos convergem para o mesmo fim, segundo a Bondade divina cheia de misericórdia para com a criatura humana
