A unidade na verdade: Cristo e a superação das divisões religiosas

É certo que Jesus veio romper certas barreiras de divisão entre os homens ou comunidades, como aquela que havia entre judeus e samaritanos. Este rompimento vem pela unidade na nova aliança com Deus, nas verdades da verdadeira religião, que é Ele mesmo, o homem-Deus, e fundada nele, a sua Igreja (com a doutrina da salvação, os sacramentos da graça, etc.). Assim, diante da samaritana, ele confirma que é o Messias “que viria para anunciar todas as coisas”. (Jo 4,25–26)

Nesse tema, Jesus aponta o erro dos samaritanos, dando razão aos judeus (“Vós adorais o que não conheceis, nós adoramos o que conhecemos”), mas já anuncia algo além do judaísmo dos negadores do verdadeiro Messias. (Jo 4,22) A salvação veio dos judeus, mas transcendeu aquele judaísmo verdadeiro que contém parte da revelação progressiva de Deus, a qual culmina em Cristo como sua plenitude, com exigência de adesão para entrar no Reino dos Céus, pois é dito que “quem não crer está condenado”. (Mc 16,16; cf. Hb 1,1–2) Neste sentido, aqueles samaritanos disseram à samaritana: “Não é já pela tua palavra que cremos nele, mas é porque nós próprios o ouvimos, e sabemos que ele é verdadeiramente o Salvador do mundo”. (Jo 4,42)

Com Cristo, a divisão se rompe pela unificação dos contrários na unidade da verdade e não pela falsa comunhão de luz e trevas, como diz São Paulo Apóstolo. (2Cor 6,14) Assim, Ele disse: “eu sou a Verdade” (Jo 14,6) e “nasci e vim ao mundo para dar testemunho da verdade”. (Jo 18,37) Em seus diálogos religiosos, não há em Jesus relativismo, nem indiferentismo, nem certo ecumenismo, mas sim afirmação da verdade e da verdadeira religião, contra os erros, como é próprio do sábio fazer, segundo Santo Tomás de Aquino. (Suma contra os Gentios, I, cap. 1) Em Cristo, a verdade tem máxima importância, exclui o que é falso e não pertence a Deus, o que não poderia ser diferente, dado que ele é a Sabedoria encarnada e o Profeta dos profetas. (cf. 1Cor 1,24; Cl 2,3)

A adoração ao verdadeiro Deus pertence à verdadeira religião, como algo fundamental. (cf. Suma Teológica, II–II, q. 81, a. 1) Nisso, Cristo anunciou algo que não estaria nos samaritanos nem no judaísmo: “Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade, porque é destes adoradores que o Pai deseja”. (Jo 4,23–24)

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