Essência da verdade e verdadeira essência

Sócrates, o filósofo, é famoso por perguntar aos seus interlocutores o que é determinada coisa. Se o diálogo é sobre a verdade ou a vida, no método socrático é importante saber o que é a verdade ou a vida de que se fala, o que corresponde à exigências da razão. A resposta a esta pergunta é o que usualmente se chama definição, a qual, portanto, diz o que algo é, embora nem toda definição seja correta, isto é, conforme a realidade objetiva, como se vê nas definições dadas por alguns dos personagens das conversações socráticas. Outro sentido para definição seria dizer o que se entende por algo, ou o que alguém tem em mente quando fala de X ou Y.

No tema dos modos de definir, pode-se falar de dois modos comuns de definição: a definição nominal e a definição real. A primeira é aquela que é feita pelo significado da palavra com a qual algo é nomeado, e pode ser etimológica, quando se recorre à origem histórica do vocábulo, ou sinonímica, quando se recorre à palavra sinônima mais conhecida, com significado semelhante. A segunda é aquela na qual se diz, com ou sem razão, a realidade objetiva da coisa pela sua essência — por aquelas características constitutivas de seu modo de ser, sem as quais não seria o que é e pelas quais se diferencia de outras coisas. Assim, por exemplo, dizer que o homem é “ser humano” é dar uma definição nominal pelo sinônimo; já dizer que é “animal racional” é dar uma definição real, enquanto é composto essencialmente por animalidade (mostrada pelo seu corpo vivente) e por racionalidade (mostrada por sua potência ativa para apreender a verdade, por uma mente raciocinante).

Sócrates queria a definição real, a definição essencial universal, enquanto válida para todos os casos que ela abrange. E quando Cristo diz “Eu sou a Verdade e Vida” (Jo 14, 6), de certo modo ele dá uma definição real, já que ele é a Verdade Encarnada. E quando diz “antes que Abraão fosse, eu sou” (Jo 8, 58), também dá uma definição real de si, pois é da mesma essência divina que o Pai, sendo, portanto, coeterno com Ele e com o Espírito Santo.

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