“As minhas culpas estão sempre contra mim”

Porque há uma ordem moral objetiva, enquanto ordem de bens, valores e deveres, há objetivamente o mal da culpa e o mal da pena merecida, para aqueles dotados livre-arbítrio e responsáveis por seus atos, que podem conter bondade ou maldade moral. A verdadeira culpa é algo real com efeitos reais, por exemplo pelo que é dito no Salmo 50 (“As minhas culpas estão sempre contra mim”), e como dívida diante de Deus, e nesse sentido São Paulo diz: “Pois todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus” (Rm 3, 23).

A culpa é como uma mácula na alma da criatura racional, que se “contamina pela ação”, aderindo às coisas inferiores desordenadamente, “contra a luz da razão e da lei divina” (Santo Tomás). Cristo disse: “Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não matarás; aquele que matar será culpado perante o tribunal. Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encolerizar contra seu irmão, será réu em juízo” (Mt 5, 21-22).

E sobre as boas e más ações humanas, Santo Tomás na Suma Teológica diz: “Assim, pois, devemos concluir que toda ação, na medida em que é, nessa mesma é boa; e lhe falará a bondade, sendo por isso considerada má, na media em que lhe faltar algo da plenitude do ser devido”. E São Paulo adverte sobre a Sagrada Eucaristia: “Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, cada qual a si mesmo, e só então coma desse pão e beba desse cálice.” (1Cor 11, 27-28)

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