O verdadeiro Deus é eterno

Nem tudo o que se pode dizer de Deus pertence à fé. Certos atributos divinos podem ser alcançados pela razão natural, dentro de certos limites, isto é, não como visão imediata da essência divina. Por exemplo, é certo que Deus é eterno, o que deve ser admitido por algumas razões necessárias, como mostra Santo Tomás, entre elas as seguintes.

Partindo do princípio de que Deus é absolutamente imutável, como o necessário primeiro movente imóvel, então Ele é necessariamente eterno, porque:

(I) Certamente, tudo começa a ser ou deixa de ser, como quem nasce e morre, enquanto é passível de mudança, na medida em que pode passar do não-ser para o ser e do ser para o não-ser. Como Deus é imutável, não pode passar por mudança, de modo que é eterno, sem princípio nem fim.

(II) Além disso, o tempo é próprio das coisas mutáveis, enquanto medida da mudança. No que é imutável não há tempo, porque não há mudança, e não há antes nem depois, o que é próprio do tempo, que tem o ser em sucessão. Deus, em sua imutabilidade, não pode ter o ser depois de não ser nem pode ter o não-ser depois do ser, e não há Nele qualquer sucessão. Assim, considerando que é próprio de cada coisa, nada disso — passagem e sucessão — pode ser concebido como algo fora do tempo, o qual é excluído pela imutabilidade divina. Por isso, Deus é sem princípio e fim e possui o ser todo simultaneamente, o que é propriamente a eternidade.

A eternidade de Deus é ensinada na Sagrada Escritura, quando diz:

(I) “Antes que se formassem as montanhas, a terra e o universo, desde toda a eternidade vós sois Deus.” (Sl 89 [90])

(II) “Acaso não o sabes? Não o aprendeste? O Senhor é o Deus eterno, o Criador dos confins da terra; ele não se cansa nem se fatiga, e sua inteligência é insondável.” (Is 40,28)

(III) “Não sois vós, Senhor, desde a eternidade, o meu Deus, o meu Santo, que é imortal?” (Hab 1,12)

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