
A justiça pode ser entendida como fazer o bem e evitar o mal. Santo Tomás, citando Aristóteles, diz que a justiça, enquanto virtude, é um hábito que nos faz agir escolhendo o que é justo, dando a cada um o que lhe pertence, o que lhe é de direito (Suma Teológica). E, sobre o zelo da justiça, São Boaventura diz: “A primeira asa do diretor de almas é o zelo pela justiça. Este zelo não tolera, sem protesto do coração, algo de injusto em si ou nos outros. Tanto será alguém reputado por bom quanto abomina o mal; pois tanto se ama um objeto quanto se lastima a sua destruição” (As Seis Asas do Serafim). Disso se pode dizer que a justiça é sempre com relação ao outro e enquanto direito de um é dever de outro.
Na Sagrada Escritura é dito: (I) “Assim fala o Senhor: ‘Eis o meu servo — eu o recebo; eis o meu eleito (…). Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra; os países distantes esperam seus ensinamentos’” (Is 42,1-4); (II) “Filhos de Deus, tributai ao Senhor, tributai-lhe a glória e o poder! Dai-lhe a glória devida ao seu nome; adorai-o com santo ornamento!” (Sl 28); (III) “Naqueles dias, Pedro tomou a palavra e disse: ‘De fato, estou compreendendo que Deus não faz distinção entre as pessoas. Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença’” (At 10,34-35); (IV) “Mas João protestou, dizendo: ‘Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?’ Jesus, porém, respondeu-lhe: ‘Por enquanto, deixa como está, porque nós devemos cumprir toda a justiça!’” (Mt 3,14-15).
Em todos esses casos, a justiça inclui a afirmação do bem devido e a negação do mal indevido, antes de tudo com relação a Deus e à sua vontade, aos deveres para com Ele. Assim, por exemplo, Cristo veio trazer os ensinamentos da verdadeira religião e os meios de exercê-la realmente, com atos que cumprem os deveres de justiça da criatura humana para com seu Criador, Senhor e Salvador. Assim, Cristo disse aos seus legítimos apóstolos de todos os tempos: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,19-20). E disse a São Pedro: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16,18).
