O Deus da razão no teísmo filosófico

Santo Tomás diz: “Conquanto o nosso intelecto chegue ao conhecimento de Deus por meio de conceitos diversos, (…) contudo, ele entende o correspondente a todos os conceitos como sendo absolutamente uno, pois o intelecto não atribui às coisas entendidas o modo pelo qual as entende, como, por exemplo, não atribui imaterialidade à pedra, não obstante conhecê-la imaterialmente. (…) Efetivamente, se há diversidade na composição, esta refere-se ao intelecto, e a unidade refere-se à coisa conhecida por ele” (Suma contra os gentios, I, c. 31).

Embora Deus não seja um conceito abstrato, d’Ele podemos falar por conceitos realistas, enquanto intencionalmente se referem a algo que realmente pertence à sua natureza divina. O Deus da razão, que objetivamente é o mesmo Deus da Revelação, embora parcialmente distinto com relação à consciência humana, em seu conceito objetivo, alcançado a partir da consideração dos seres da experiência, da natureza das coisas e dos princípios do ser, deve ser entendido como:

(I) Ser Subsistente, enquanto não tem o ser como algo recebido nem participado, mas por essência; (II) Ato Puro, enquanto não possui potência passiva nem pode sofrer; (III) Imutável, enquanto não muda, pois é plenamente o que é; (IV) Eterno, enquanto seu ser perdura sem princípio nem fim e de modo totalmente simultâneo; (V) Ser Necessário, enquanto não poderia não existir; (VI) Infinito, enquanto não possui limites no ser, pois é ilimitável; (VII) Causa Primeira, enquanto é a origem de todo ente contingente, a causa total de todo ser finito; (VIII) Espírito Onipotente, enquanto é imaterial e possui potência ativa para todos os possíveis; (IX) Inteligente, enquanto, ao seu modo, conhece todas as coisas simultaneamente; (X) Pessoal, enquanto, além de inteligência, n’Ele há vontade; (XI) Amor, enquanto quer o seu próprio bem e o bem das coisas; (XII) Simples, de modo absoluto, enquanto não há n’Ele composição de partes ou de modos de ser.

Entre outros atributos, este é o Deus da razão no teísmo filosófico de grandes filósofos católicos, em especial Santo Tomás de Aquino, grandioso sábio tanto nas verdades naturais quanto nas verdades sobrenaturais.

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