
Em Provérbios é dito: “Meu filho, guarda as minhas palavras, esconde no teu coração os meus preceitos. Filho, observa os meus mandamentos, e viverás; guarda a minha lei como menina dos teus olhos. Traze-a ligada aos teus dedos, escreve-a nas tábuas do teu coração.” (7,1-3)
Naturalmente, o bom conselheiro é bom porque dá bons conselhos. E dar conselhos é dizer o que convém fazer, dentro da busca do bem e do afastamento do mal, pelo menos sob certo aspecto. No provérbio, o pai, enquanto sábio que possui entendimento das realidades sobre as quais fala e discernimento do bem e do mal, diz ao filho que guarde suas palavras, esconda no coração os seus preceitos e observe seus mandamentos, porque, com isso, viverá, isto é, terá uma vida duradoura no bem, em oposição aos males que devem ser evitados, especialmente o pior deles, cheio de morte e tristeza. Nesses conselhos, há, da parte do pai, a intenção benevolente própria do amor.
O preceito, o mandamento e a lei dizem o “deve” e o “não deve”, como regra de vida fundada na natureza das coisas, na sabedoria do ser. Quando se diz para guardar a lei como “menina dos teus olhos”, trazê-la “ligada aos teus dedos” e escrevê-la nas “tábuas do teu coração”, isso significa o quanto deve ser estimada, a prontidão para obedecê-la e a constância em tudo isso. Assim, a sabedoria dos Provérbios, dentro da arte de viver, é também sabedoria das regras de vida, da devida estima por elas e da devida constância nelas, como um modo estável de viver naquilo que é bom, para colher os seus bens.
Não por acaso as ordens religiosas católicas possuem uma regra de vida para seus membros. Para os beneditinos, que seguem a Regra de São Bento, é dito: “A ociosidade é inimiga da alma; por isso, os irmãos devem ocupar-se em certas horas com o trabalho manual e, em outras, com a leitura divina.” Para os dominicanos, filhos de São Domingos de Gusmão, é dito: “O estudo é um ato de religião, ordenado à contemplação e à pregação.” E para os jesuítas, Santo Inácio diz: “Devemos ter sempre diante dos olhos o fim para o qual fomos criados.” E, para todos os fiéis, como mínimo de uma vida católica estável, associados aos Dez Mandamentos, a Igreja prescreve os seus cinco mandamentos. Assim, viver a religião, corretamente entendida, é viver certa regra de vida, dentro dos mandamentos e dos conselhos divinos, para o bem e o melhor.
