
Em um de seus discursos no ano de 1951, dado em encontro da Pontifícia Academia das Ciências, o Papa Pio XII diz: “O conhecimento de Deus como único Criador, hoje compartilhado por muitos cientistas modernos, é, de fato, o limite extremo a que a razão humana pode chegar. No entanto, como bem sabeis, não constitui a última fronteira da verdade. Em cooperação harmoniosa — porque as três são instrumentos da verdade, como raios do mesmo sol — a ciência, a filosofia e, com razão ainda maior, a Revelação, como que contemplam a essência deste Criador que a ciência encontrou ao longo do seu caminho, desvendam os seus contornos e apontam as suas características.”
A palavra “católica”, em seu significado original grego, significa universal ou conforme à totalidade. A verdadeira Igreja é católica, antes de tudo, com relação às verdades da Revelação divina, aos meios de salvação e a tudo o mais que Cristo quis como importante para ela. Porém, é também católica com relação ao ser e à verdade, de modo que, sem superestimá-las, é reconhecido o valor tanto da filosofia quanto das ciências empíricas, em seus ideais de saber autêntico e nas verdades realmente alcançadas, pertencentes ao homem enquanto capaz de conhecimento sensível e de conhecimento intelectual superior.
Conforme diz o Papa, pode-se afirmar que a fé revelada, a filosofia racional e a ciência empírica são ordens distintas mas harmônicas, porque pertencem à unidade do ser, e a verdade jamais contradiz a verdade. A integração entre as três é própria da Civilização Católica, da Cristandade, em cuja mente e coração deve prevalecer Cristo Rei, a Verdade Eterna, o Logos divino por meio do qual todas as coisas foram feitas. E diz ainda o Papa: “(…) Se quiserem ser salvas, as nações devem adorar o Filho, o amoroso Redentor da humanidade, e curvar-se às amorosas inspirações do Espírito, o fecundo Santificador das almas. (…) Esta é uma visão do todo, tanto do presente como do futuro, tanto da matéria como do espírito, tanto do tempo como da eternidade, que, ao iluminar a mente, poupará aos homens de hoje uma longa e tempestuosa noite.”
