
“O verdadeiro está em julgar conforme a coisa, e não o contrário” (Santo Tomás). A verdade e a falsidade têm por natureza relação com o ser. Se o afirmado ou o negado está conforme a realidade, se é realmente assim, então há verdade; mas, se não está, então há falsidade. Essa é a verdade lógica – da razão, do intelecto, da inteligência.
Pela centralidade do ser ou da realidade, a verdade é sempre objetiva, jamais subjetiva, embora o ato de conhecê-la ou possuí-la seja subjetivo, enquanto ato de um sujeito específico. Não é possível, quanto à mesma coisa sob o mesmo aspecto, haver uma verdade que seja tal para uma pessoa e não seja para outra, pois, como exige o princípio de não contradição, o ser e o não-ser se excluem, de modo que ou é verdadeiro ou é falso. Por exemplo: não pode ser verdade para um que demônios existem e, ao mesmo tempo, ser verdade para outro que não existem; a verdade é uma só: ou existem como espíritos agentes que fazem o mal ou não existem desse modo. Conforme a realidade, um está correto e o outro está enganado; um está com a verdade e o outro com a falsidade.
A verdade objetiva é inegável por inúmeras razões. Uma delas é a seguinte: não pode ser negada sem contradições, isto é, sem que se afirmem diversas verdades. A primeira delas pode ser dita como diz o filósofo medieval beato Duns Scotus: “A verdade é desse modo, porque, se afirmas que há a verdade, então tens de afirmar que tal é verdadeiro, e assim há a verdade; se negas que há a verdade, então é verdadeira a verdade de que não há. E assim alguma verdade há”. Além disso, na negação da verdade estão implícitas ou pressupostas outras coisas assumidas como verdadeiras, por exemplo: que é verdade que há negação, que há algo negado, que há aquele que nega, e assim por diante.
Cristo disse: “Vós tendes como pai o demônio e quereis fazer os desejos de vosso pai. Ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.” (Jo 8,44)
