
Uma das razões que mostram, acima de qualquer dúvida razoável, a existência da verdade objetiva é a seguinte: como mostra a experiência, o homem tem consciência de que erra e mente, portanto sabe que sabe; e tem consciência de que duvida e ignora, portanto sabe que não sabe, de modo que, em ambos os casos, sabe o que é conhecer a verdade com certeza objetiva. No erro e na mentira, na ignorância e na dúvida, em tudo isso está presente a verdade, seja como suposição necessária, seja como consequência inevitável. Assim, por exemplo, se não há verdade, não pode haver mentira, assim como sem o bem não há o mal. Tudo isso pertence à ordem do ser, independente da mente e da vontade humanas, nas possibilidades, impossibilidades e necessidades de cada coisa.
Em Provérbios é dito pela Sabedoria: “Minha boca publicará a verdade, e os meus lábios detestarão o ímpio. Todas as minhas palavras são justas, nelas não há coisa tortuosa nem perversa” (8,7-9). Da sabedoria só pode vir a verdade. Ela exclui a falsidade e a impiedade, às quais se opõe e detesta. Se algo é contrário à sabedoria, só pode ser mau. A sabedoria inclui o que lhe é próprio e exclui o que lhe é oposto e, assim como diz Santo Tomás, pertence ao sábio afirmar a verdade e eliminar os erros contrários a ela. Tudo o que é falso, tortuoso e perverso é excluído e repelido pela sabedoria. Logo, deve ser repelido pelo verdadeiro sábio e é critério para discernir os falsos sábios.
