“Católico não pisa em centro espírita”

Um católico disse: “Católico não pisa em centro de macumba”. Em desacordo, alguém respondeu: “Então sua crença tira o livre-arbítrio?”.

Comentário. Primeiro, esta frase é catolicamente correta, se a intenção da ida ao centro espírita é religiosa, por exemplo, como quem vai esperando obter algum benefício pela ação de certas “forças espirituais”. Ela expressa, entre outras coisas, uma das proibições do primeiro mandamento: “Não terás outros deuses diante de mim” (Ex 20,3) e “Não recorrerás a espíritos nem consultarás adivinhos” (Lv 19,31; Dt 18,10-12); e quem o faz mostra incoerência religiosa contra a parte do Credo que diz: “Creio na Santa Igreja Católica”. Segundo, não há nada contra o livre-arbítrio, que é a capacidade de escolha entre possibilidades contrárias: “Desde o princípio, Deus criou o homem e o entregou ao poder de suas próprias decisões” (Eclo 15,14-17). O crer, enquanto inclui verdades e valores aceitos como tais, é naturalmente exigente, pelo “devo” e “não posso” que ele implica (Jo 14,15), e é naturalmente excludente, pelo falso e pelo mal que lhe são opostos (cf. Is 5,20). Para o católico, fora de qualquer relativismo sem sentido (Ef 4,14), há o que deve ser crido e o que deve ser feito (Tg 1,22) e, consequentemente, o que não pode ser aceito nem feito (cf. Rm 12,9). Tudo isso é da natureza das coisas e está conforme a razão.

Outra frase: “Quem disse que Deus e Jesus Cristo são exclusividade da religião católica?”.

Comentário. Primeiro, Deus e Jesus Cristo estão no centro da religião católica, sem os quais ela perderia sentido, na mesma linha do que diz São Paulo: “Se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa fé” (1Cor 15,14). E porque são o que são, há a centralidade da verdade como algo de máxima importância. Tanto que Cristo disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14,6). E porque a verdade é importante positivamente, a falsidade que a nega também é importante, porém negativamente, como mal que é fonte de males (Jo 8,44). Assim, naturalmente importa que as pessoas conheçam e obedeçam ao verdadeiro Deus (Jo 17,3) e ao verdadeiro Jesus Cristo, os quais não podem ser os de qualquer concepção humana (Gl 1,8-9), nem podem ser os das concepções contrárias à fé católica, pois a verdade não contradiz a verdade. Assim, se, como mera ação, qualquer um pode falar sobre qualquer coisa, o que também vale para afirmações sobre Deus e Cristo, nem tudo deve ser aceito, e há coisas que devem ser rejeitadas (1Ts 5,21-22), porque nem tudo é verdadeiro e benéfico. Segundo, como exemplo disso, o próprio Cristo falou dos “falsos cristos” do futuro, apresentados por “falsos profetas” (Mt 24,24), por falsos homens de Deus; e o próprio Deus rejeitou certos cultos como enganadores e perversos (Is 1,13-15; Jr 7,9-11). Então, nem todo “culto religioso” a Deus e a Cristo é bom, pois, no mínimo, pode haver falsas concepções e perversões a respeito deles nesses cultos, obra da insensatez humana ou de engodos diabólicos (2Cor 11,13-14).

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