“Recebi as minhas instruções com maior gosto do que dinheiro”

Em Provérbios é dito: “Recebi as minhas instruções com maior gosto do que dinheiro, preferi a ciência ao ouro fino. Vale mais a sabedoria que as pérolas, e tudo quanto é apetecível não se pode comparar com ela” (8,10-11).

Preferir é dar prioridade, por considerar que vale mais, tem maior importância, ou é bem superior. Preferir é simultaneamente preterir, é dizer sim a uma coisa e não a outra (ou outras). O provérbio ensina que as instruções da sabedoria devem ser preferidas ao dinheiro, que a ciência deve ser preferida às pérolas, porque possuem mais valor, são mais importantes, são bens superiores, que convêm mais à natureza do homem, enquanto criatura racional de alma imortal.

Isto equivale a dizer que o espírito é superior à matéria, que o espiritual é superior ao corporal. O homem é as duas coisas, mas deve respeitar a hierarquia natural e ordenar sua vida conforme a objetiva escala de bens e valores da ordem divina do ser. Assim, o homem não deve viver para o dinheiro, o ouro ou as pérolas, mas para a sabedoria, que é o próprio Deus, Espírito vivo e vivificante. A sabedoria não é subordinada, e sim subordinante; não é meio, e sim fim. Há inúmeras coisas apetecíveis, mas nenhuma se compara à sabedoria, que é a mais apetecível e como tal deve ser apetecida. A sabedoria é o caminho da vida, segundo a ordem lógica das coisas, com harmonia de pensamento, vontade e ação, fundamentada na verdade, no entendimento, no discernimento.

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