
Em Provérbios é dito: “Eu amo os que me amam, e o que me busca encontrar-me-á. Comigo estarão as riquezas e a glória, a sólida opulência e a justiça. Melhor é o meu fruto que o ouro mais fino, as minhas produções melhores que a prata mais pura” (8,17-19).
A sabedoria diz de si mesma que ama aqueles que a amam. O amor está para o bem, enquanto é bom em si mesmo e faz o bem ao ser amado. O amor da sabedoria, para aqueles que a amam com a intenção de possui-la, de unir-se a ela, é produtiva de bens: riquezas e glória, abundância e justiça, de frutos melhores que qualquer ouro e prata.
E a mesma sabedoria diz que aquele que a busca vai encontrá-la. Assim, a sabedoria, podendo ser buscada, deve ser buscada, pois é bem fonte de bens, é o que mais convém ao homem como ser intelectual, livre e relacional, com relações de vários tipos com as coisas do cosmos, da realidade.
O ser humano é pessoa espiritual dotada de intencionalidade, quer dizer, é capaz de entender inúmeras coisas em suas dimensões metafísicas-ontológicas, para além da ordem sensível, enquanto há essências imutáveis, necessidades absolutas, princípios universais, causas, relações, possibilidades; enfim, ante tudo isso é capaz de entendimento racional, mesmo que dentro de certos limites. E na sua relação com diversos entes, o homem pode conhecê-los, querê-los e amá-los; nisso, prioridade deve ter a Sabedoria, que é próprio Deus, o Criador, vivo e vivificante.
