
A distinção entre absoluto e relativo é objetiva, enquanto mostrada pelas coisas, com fundamento na realidade, independente da mente humana, que não a cria, mas a descobre.
O absoluto e o relativo se dizem de vários modos. Por oposição ao relativo, absoluto é o “por si mesmo” ou o “em si mesmo”, sem dependência. Há um sentido em que somente Deus é absoluto, enquanto ser necessário por si mesmo, independente de qualquer coisa, e do qual todas as coisas dependem. Deus não é relativamente ser, quer dizer, limitadamente sob este ou aquele aspecto, deste ou daquele modo, mas sim absolutamente ser, o Ser em si mesmo, em sua total perfeição.
A verdade pode ser dita absoluta e relativa, porém sob aspectos distintos. É relativa enquanto corresponde a uma relação entre a mente humana e a realidade, quando há adequação, correspondência, conformidade de uma com relação a outra. E é absoluta enquanto o que é objetivamente verdadeiro, segundo a realidade mesma, independe do sujeito. O que diz a verdade não é o sujeito, mas sim a realidade; e o que é verdade é absolutamente verdadeiro. No caso, verdade absoluta significa verdade objetiva, que exclui o “para”, pois não pode haver verdade que seja para um e não o seja para outro. A verdade é uma só, porque a realidade é uma só, segundo o princípio de não contradição. Santo Agostinho diz: “A verdade não é minha, nem sua, para que seja nossa”.
