
O conhecimento que o homem tem do ser é proporcional à sua capacidade natural, dentro de um mínimo e um máximo. Isto vale para o conhecimento de Deus, pois é humanamente que o homem pode ter certa ciência de Deus, o que inclui que naturalmente entendemos a Deus segundo o nosso modo de conhecer e não segundo o modo de ser de Deus. Por exemplo: Deus é simultaneidade absoluta, sem antes nem depois, e nosso conhecimento é discursivo, divido em partes, com antecedente e consequente. Quer dizer: o que em si mesmo é simultâneo por outro é conhecido sucessivamente, e uma coisa não exclui a outra.
Em sua “Suma contra os Gentios”, Santo Tomás diz: “A felicidade última do homem não consiste no conhecimento de Deus pelo qual Deus é conhecido por todos, ou por muitos, segundo um conhecimento confuso; e também não consiste no conhecimento de Deus que se obtém por via demonstrativa nas ciências especulativas; nem no conhecimento vindo da fé, como acima foi demonstrado. Também não é possível ser alcançado nesta vida um conhecimento mais elevado de Deus ao ser conhecido na sua essência, ou, ao menos, pelo conhecimento que se tenha das substâncias separadas chegar a um conhecimento mais aproximado de Deus, segundo foi demonstrado acima. Assim sendo, será preciso colocar a felicidade última em outro conhecimento de Deus, como acima foi provado. Resulta de tudo isso que é impossível que a felicidade última do homem esteja nesta vida. Além disso, o fim último do homem lhe põe termo ao apetite natural e, assim, sendo ele atingido, nada mais se deseja, e se o homem tem ainda algum desejo, é porque não atingiu o fim no qual repousa. Ora, isso é impossível acontecer nesta vida.”
E São Paulo Apóstolo diz: “Agora vemos como por um espelho, de maneira confusa; mas então veremos face a face. Agora conheço em parte; mas então conhecerei plenamente, como também sou conhecido” (1 Coríntios 13,12). “Mas, como está escrito: O que o olho não viu, o ouvido não ouviu, nem subiu ao coração do homem, isso Deus preparou para aqueles que o amam” (1 Coríntios 2,9).
