“O mesmo ato, considerado em si, pode possuir múltipla bondade moral”

O filósofo católico Duns Scotus diz: “O mesmo ato, considerado em si, pode possuir múltipla bondade moral; (…) Exemplo: Vou à igreja por justiça, porque estou obrigado por obediência ou por voto; vou também por caridade para com Deus, para rezar ou prestar culto de latria a Deus; e vou por caridade fraterna, para edificar o próximo. Em suma: todo ato bom, seja apenas com bondade moral, seja com bondade meritória ulterior, é tanto melhor quanto mais motivos ordenados de agir concorrem nele. De modo semelhante, em um mesmo ato podem concorrer muitas malícias, tantas quantas forem ditadas pelos elementos opostos que deveria conter”.

Exemplo máximo disso é a vida de Cristo, especialmente em seu perfeito Sacrifício no Calvário, no qual há múltiplas bondades morais, aquelas para com Deus e aquelas para com os homens, tendo como fruto inúmeros bens, sobretudo o sumo bem da vida eterna para a criatura humana, enquanto não rejeita a graça, preferindo bens inferiores, conforme sua falsa sabedoria, no lugar da sabedoria de Deus.

Na Sagrada Escritura é dito: (I) “Porque Deus amou tanto o mundo, que lhe deu seu Filho único, para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). (II) “Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus” (1Cor 3,19). (III) “Eu amo os que me amam; os que me procuram encontram-me. Comigo estão a riqueza e a honra, os bens duráveis e a justiça” (Pr 8,17–18).

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