
No livro de Provérbios, a Sabedoria diz de si mesma: “Quando ele assentava os céus, lá estava eu; quando traçava o horizonte na superfície do abismo; quando firmava as nuvens no alto, quando fixava as fontes do abismo; quando impunha ao mar os seus limites, para que as águas não ultrapassassem as suas margens; quando lançava os fundamentos da terra, eu estava junto com ele como arquiteto, e era o seu encanto todos os dias, brincando continuamente em sua presença; brincando sobre a superfície da terra, e minhas delícias eram estar com os filhos dos homens.” (Pr 8,27–31)
O universo criado foi arquitetado com sabedoria, pela sabedoria vivente, que estava em Deus e é Deus. O universo criado é uma ordem estabelecida, com causas, razões, sentidos, modos, bondades e valores, com perfeições e perfectibilidades, segundo as determinações da Sabedoria incriada.
Sobre a ordem no universo, Mariano Artigas, sacerdote católico, físico e filósofo, diz: “As possíveis atitudes diante de Deus como explicação última do universo são basicamente cinco: o ateísmo, o agnosticismo, o panteísmo, o deísmo e o teísmo. Mas as quatro primeiras apresentam dificuldades notáveis. Isso se percebe facilmente no caso do ateísmo, já que não existem nem podem existir provas da não existência de Deus. (…) Quanto mais avançamos no conhecimento científico, mais evidente se torna a ordem e a racionalidade da natureza. Essa racionalidade manifesta-se em diferentes níveis: nas leis físicas, na estrutura da matéria, na organização da vida, em certos processos evolutivos. Além disso, a presença de informação na natureza é um fato central. Diante dessa situação, podemos perguntar: qual é a melhor explicação para a racionalidade, a informação e a criatividade que encontramos no universo? O naturalismo não oferece uma resposta satisfatória. O acaso não pode explicar a presença sistemática de ordem e racionalidade. A necessidade, por si só, também não é suficiente. Portanto, é razoável admitir a existência de uma inteligência que fundamenta a ordem do universo. Essa inteligência não pode ser identificada com o universo, pois o universo é contingente e limitado. Trata-se de uma inteligência transcendente, que dá origem e sustenta a realidade” (na conferência “La mente del universo”).
