
Com relação à doutrina da fé, questão relevante é o que pode ser demonstrado (provado, corretamente entendido) e o que não pode? A fé católica, autenticamente cristã, apoia-se na Revelação feita aos Profetas e Apóstolos, presente na Sagrada Escritura e na Sagrada Tradição apostólica, e esclarecida — ou definida — pelo Magistério eclesiástico divinamente conduzido.
Quanto à doutrina sagrada também há uso da razão, como é natural para o “animal racional”, porém não para provar ou demonstrar de modo evidente os artigos de fé, mas para demonstrar outras verdades conexas, refutar objeções e esclarecer ensinamentos seus. É a razão humana enquanto presta serviço à fé, o que é trabalhar para a verdade, como lhe é natural, e como fez Santo Tomás. A este respeito ensina o santo doutor:
“Se, porém, o adversário não acredita em ponto algum da revelação divina, já não há meio para lhe provar com razões os artigos da fé, mas, sim, para lhe refutar as objeções contra esta, porventura assacadas. Porque, assentado na fé na verdade infalível, e sendo impossível demonstrar o contrário da verdade, claro está que as razões dirigidas contra a fé não são demonstráveis, senão argumentos refutáveis. (…)/ Embora não tenham cabimento, para provar os pontos da fé, os argumentos da razão humana, todavia, com os artigos da fé, esta doutrina argumenta para provar outras verdades, segundo o sobredito. /(…) Apesar disso, a doutrina sagrada também usa da razão humana, não, porém, para provar a fé, o que lhe suprimiria o mérito, senão para manifestar, de algum modo, ensinamentos seus. Pois, como a graça não tolhe, mas aperfeiçoa a natureza, importa que a razão humana preste serviços à fé, assim como a inclinação natural da vontade está para as ordens da caridade”. (Suma Contra os Gentios)
