Ad Iesum per MariamTerço tradicional no contorno do Brasil, com a Medalha de Nossa Senhora das Graças
CONSCIÊNCIA CATÓLICAInteligência, vontade e coração
Veritas liberabit vosSol de Santo Tomás de Aquino
CONSCIÊNCIA CATÓLICA

“Porque o amor vem de Deus”

Na Sagrada Escritura é dito: “Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus. Quem não ama não chegou a conhecer Deus, pois Deus é amor. Foi assim que o amor de Deus se manifestou entre nós: Deus enviou o seu Filho único ao mundo, para que tenhamos vida por meio dele. Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de reparação pelos nossos pecados. Caríssimos, se Deus nos amou assim, nós também devemos amar-nos uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus. Se nos amamos uns aos outros, Deus permanece conosco, e seu amor é plenamente realizado entre nós. A prova de que permanecemos com ele, e ele conosco, é que ele nos deu o seu Espírito. E nós vimos, e damos testemunho, que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo. Todo aquele que proclama que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece com ele, e ele com Deus. E nós conhecemos o amor que Deus tem para conosco e acreditamos nele. Deus é amor: quem permanece no amor permanece com Deus, e Deus permanece com ele.” (1Jo 4,7-16)

Sob o aspecto dos temas, nessa passagem há o tema do amor a Deus e ao próximo, o tema do conhecimento de Deus, o tema dos vínculos com Deus, o tema dos efeitos de certa presença-atuação sobrenatural de Deus, o tema do dever de amar, o tema de Cristo como vítima de reparação pelos nossos pecados e como Salvador, e o tema de Jesus como Filho de Deus.

Sob o aspecto das questões relevantes, algumas delas são: O que é o amor (suas características essenciais)? Quais são as condições necessárias do amor? Há igualdade entre o amar a Deus e o amar o próximo? Por que há o dever de amar? Por que era necessária uma vítima de reparação pelos pecados do homem e um Salvador para o mundo? Como conhecer a Deus e como saber que o conhecemos realmente? Como deve ser entendido que Jesus é o Filho de Deus? Como entender que quem permanece no amor permanece com Deus, e Deus permanece com ele?

Filosoficamente, algumas verdades naturais implicadas em tal passagem são: (1) “tudo o que pode ser e não ser é mutável”; (2) “os efeitos são proporcionados às causas”; (3) “o que é por essência é causa de tudo o que é por participação”; (4) o homem é um ser de relações, fundadas em sua natureza.

Teologicamente, pode-se dizer: Como tudo o que pode ser e não ser é mutável, a permanência do homem no amor de Deus é mutável nesta vida terrena, portanto também é dependente, antes de tudo da graça, pois, como os efeitos são sempre proporcionados às causas, o homem não pode causar em si o amor divino sobrenatural nem permanecer nele apenas com seu próprio poder. Consideradas as coisas como são, segundo a Revelação e segundo a razão, mostra-se, mais uma vez, a realidade da colaboração do homem com a graça. A esse respeito, Santo Tomás diz na Suma Teológica: “Sem a graça, o homem não pode merecer a vida eterna”; “a vida eterna é dada como recompensa do mérito”; e “o homem necessita da graça para perseverar até o fim”.

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