
Certamente, para a mente humana, feita para conhecer, são importantes a verdade e a certeza. Nesses bens ela encontra sua perfeição, um estado superior. Também na religião deve haver a verdade e a certeza, pois do contrário o que há é a falsidade, a opinião, a dúvida e o agnosticismo. Nisso, ou ela teria valor negativo, merecedora de desprezo, ou, tendo alguma utilidade relativa, seria dispensável, sob o aspecto do conhecimento e, por relação, sob o aspecto da ação humana bem orientada.
O dogma é a verdade e a certeza na religião. Uma religião verdadeira e razoável, realmente divina e conforme à razão humana, é uma religião com dogmas, isto é, com verdades certas que assim devem ser ensinadas e aceitas por seus adeptos. Se um “dogma” essencial de uma confissão religiosa é realmente falso, com demonstração inegável, então tal “religião” contém falsidade relevante e não deve ser seguida, pois não provém de Deus. Porém, seja como for, a ideia de dogma na religião é natural e razoável, embora possa ser falso, e de fato é em inúmeros casos, isto ou aquilo que nesta ou naquela confissão religiosa é apresentado como “dogma”, isto é, como afirmação verdadeira inegável. O relativismo religioso, segundo o qual todas as religiões se equivalem sob o aspecto da verdade e do bem, e com ele o relativismo dogmático, que nega verdades imutáveis e certezas perenes na fé, é destrutivo da religião, assim como outros relativismos são destrutivos da razão humana e da bondade objetiva.
Um cristianismo sem dogmas equivale a um cristianismo sem verdades certas que exigem adesão firme da mente, pelo ato da vontade. Consequentemente, seria essencialmente um cristianismo de opiniões, dúvidas e agnosticismo, fideísta em uns e racionalista em outros. Nisso se vê a importância de um Magistério infalível, pela onipotência divina, e dos dogmas por ele definidos e ensinados em sua legítima autoridade, vinda de Deus, seu divino fundador e mantenedor.
Considerando que as portas do inferno são portas da falsidade, pois o diabo é o “pai da mentira”, Cristo disse a São Pedro: “‘Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isso, mas meu Pai que está nos céus. Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.’” (Mt 16,17–19). São Paulo diz: “A uns ele constituiu apóstolos; a outros, profetas; a outros, evangelistas, pastores e doutores, para o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus… Para que não sejamos mais como crianças, levados ao sabor das ondas e agitados por todo vento de doutrina… Mas, pela prática sincera da caridade, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo.” (Ef 4,11–15).









