
Deus é própria Verdade e toda verdade procede d’Ele. A verdade é um valor absoluto, importante por si mesma, dentro da autonomia do ser com relação à mente humana. A verdade é um bem objetivo fonte de bens objetivos para o homem. E se o homem, pelo princípio da ordem moral natural, deve fazer o bem e evitar o mal, e se a verdade é o bem da inteligência e a falsidade o seu mal, então o homem deve amar a verdade, com os atos correspondentes a este amor, e deve odiar a falsidade, com os atos correspondentes a este ódio. Assim, no Salmo 4,3 é dito: “Filhos dos homens, até quando fechareis o coração? Por que amais a ilusão e procurais a falsidade?”; e em Provérbio é dito: “Eu te peço duas coisas, não me negues antes de minha morte: afasta de mim falsidade e mentira, não me dês nem pobreza nem riqueza, concede-me o pão que me é necessário, para que, saciado, eu não te renegue, e não diga: “Quem é o Senhor?”. Ou que, pobre, eu não roube, e não profane o nome do meu Deus”. (30, 7-9)
O filósofo Josef Pieper, em comentário sobre a filosofia de Platão, diz: “O bem do homem consiste em ver as coisas, na medida do possível, tal como elas são e viver e obrar conforme a verdade assim captada, a qual confere pleno sentido à existência humana. O homem, portanto, se nutre antes de tudo com a verdade; não só o sábio, o filósofo, o cientista, mas sim qualquer pessoa que aspire a viver como homem precisa desse alimento. Também a sociedade vive da verdade publicamente presente. A existência é tanto mais rica quanto com maior amplitude e profundidade se lhe abre e faz acessível o mundo real”.









