É significativo que, após o fato de Pentecostes e da fala dos discípulos em outras línguas, tenha sido Pedro o primeiro a levantar a voz e falar à multidão. Se, corretamente entendido, a Igreja militante nasce em Pentecostes, animada pelo Espírito Divino, nesse nascimento Pedro se destaca por sua pregação cheia de inteligência da obra redentora de Deus, o que de certo modo corresponde às palavras de Cristo no Evangelho: (I) “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”; (II) “Apascenta as minhas ovelhas”.
Jesus mandou Pedro apascentar suas ovelhas depois de perguntar-lhe três vezes se o amava, no que em cada uma Pedro disse sim. Se Pedro amava Cristo e se esse amor era aceito por Ele como verdadeiro, isto quer dizer que esse amor era cheio de verdadeira consciência, com inteligência iluminada, de modo que Pedro amava Cristo como “caminho, verdade e vida”. O Apóstolo amava o Cristo-Verdade e suas verdades de vida eterna, e nesse espírito deveria conduzir paternalmente a Santa Igreja de Cristo. O amor de Pedro por Jesus, o homem-Deus, o Messias profetizado, inclui certo zelo apostólico, que por sua vez inclui o necessário zelo pela verdade, no sentido de ensinar e confirmar os membros da Igreja na verdadeira fé, necessária para a salvação eterna.
O filósofo Dietrich von Hildebrand diz: “(…) Na esfera religiosa, a coisa de maior valor, aquilo que mais glorifica a Deus, é estar na verdade, possuir a verdadeira Fé”. Sobre a missão da Igreja, ele diz: “Seu objetivo é que todos os homens encontrem o caminho para a verdade e para a felicidade eterna”. Isto corresponde ao que é dito no Salmo 15: “Vós me ensinais vosso caminho para a vida; junto a vós, felicidade sem limites, delícia eterna e alegria ao vosso lado!”. A este respeito, Cristo disse a seus Apóstolos: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Marcos 16,15-16). Por essas palavras se vê a importância decisiva que a verdadeira fé, que a fé na verdadeira revelação de Cristo possui.
Na pregação no dia de Pentecostes, São Pedro diz verdades importantes sobre Jesus, como homem querido por Deus, realidade mostrada pelos “milagres, prodígios e sinais” que realizou. Entre tais verdades estão a realidade de sua Paixão, de sua Ressureição, de sua exaltação gloriosa à direita de Deus e o derramamento do Espírito Santo em seus discípulos. Tudo isso é parte importantíssima do verdadeiro Evangelho e, como diz São Paulo Apóstolo, que seja anátema a quem pregar outro evangelho, que só pode ser doutrina de demônios ou fábula humana.