“É feliz quem a Deus se confia”

Na Sagrada Escritura é dito: “Moisés falou ao povo dizendo: “Vê que eu hoje te proponho a vida e a felicidade, a morte e a desgraça. Se obedeceres aos preceitos do Senhor teu Deus, que eu hoje te ordeno, amando ao Senhor teu Deus, seguindo seus caminhos e guardando seus mandamentos, suas leis e seus decretos, viverás e te multiplicarás, e o Senhor teu Deus te abençoará na terra em que vais entrar para possuí-la. Se, porém, o teu coração se desviar e não quiseres escutar, e se, deixando-te levar pelo erro, adorares deuses estranhos e os servires, eu vos anuncio hoje que certamente perecereis”. (Dt 30,15-20)

Nesta vida terrena, para o homem há dois caminhos, o caminho do bem e o caminho do mal, porque, ante seu livre-arbítrio, que lhe permite querer as coisas não necessariamente mas espontaneamente, há o bem e o mal. Mesmo que dentro de certo limite, o homem pode ser dito senhor de suas ações e capaz de eleições livres antes contrários. Deus o criou como ser espiritual, dotado de inteligência e vontade espirituais, desde as quais faz suas escolhas, toma suas decisões, e desde as quais é responsável pelo bem ou mal que faz.

Em sua Providência onipresente, Deus governa todas as coisas conforme o modo de ser de cada uma delas. O homem é governado enquanto homem, e assim lhe é dado exercer seu livre-arbítrio, sua liberdade humana, que supõe possibilidades contrárias na ordem dos bens, coisas própria da ordem dos mutáveis. O homem é um ser composto de realidade imutável, como sua natureza humana, misturada com realidades mutáveis, como seus atos, e vive num cosmos de semelhante composição. Isto significa a experiência em si e nos outros dessa ordem das possibilidades, impossibilidades e necessidades, das coisas que podem ser, das coisas que não podem ser e das coisas que só podem ser daquele modo.

Por sua Bondade, que afirma o ser criado por seu amor, Deus se dirige à liberdade do homem, e nisso lhe propõe coisas. Por sua Bondade, lhe concede exercer a liberdade, por sua Sabedoria lhe diz o que deve fazer para ser feliz, para receber a vida e a benção, e por sua Justiça dá a cada um conforme merece segundo suas obras de bondade e maldade, porque o bem e mal, enquanto contrários, têm efeitos contrários.

Por mais penoso que possa ser, no final das contas o caminho da obediência a Deus, segundo seus mandamentos de sabedoria, seus conselhos de Pai amoroso, é o melhor caminho, que traz a vida feliz e benção, as bondades queridas pelo homem, desejadas por sua natureza dependente. Assim, no salmo 15 é dito: “É feliz quem a Deus se confia”.   

Com o auxílio divino, sem o qual o homem nada pode fazer, tudo depende da vontade

Porque Deus é Misericordioso e Justo, Ele recompensa, castiga e perdoa. Para aqueles que vivem como seus inimigos, como filhos rebeldes, Ele deseja a reconciliação. Para aqueles que vivem como pecadores no caminho da maldade rumo ao abismo infernal que é trevas sem fim, Ele deseja que se convertam e vivam, que salvem e cheguem ao conhecimento da verdade. Em tudo isso Deus atua com sua Providência e tudo o que Ele faz é irrepreensível.

Em seu Diário, Santa Faustina diz: “Ela (a obra da misericórdia) será um novo esplendor para a Igreja, ainda que há muito tempo nela já existe. Que Deus é infinitamente misericordioso, ninguém o poderá negar; mas Ele deseja que todos saibam disso, antes que venha a segunda vez como Juiz; quer que primeiro as almas O conheçam com Rei da Misericórdia” (378).

Quem pede é porque quer, e quem quer alcança a graça da conversão e as graças para a salvação eterna. Com o auxílio divino, sem o qual o homem nada pode fazer, tudo depende da vontade, que nisso é decisiva. Assim, por exemplo, São Paulo diz: “Como colaboradores de Cristo, nós vos exortamos a não receberdes em vão a graça de Deus, pois ele diz: “No momento favorável, eu te ouvi e no dia da salvação, eu te socorri”. É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação”. (2Cor 6,2-1)

“O príncipe deste mundo já está julgado e condenado”

Santo Tomás de Aquino ensina que a “árvore do conhecimento do bem e do mal” não é má em si mesma nem possui poder de causar conhecimento. A razão da proibição de Deus é a prova de obediência do homem, sua sujeição à vontade divina, da qual depende em seu estado de justiça original cheio de bondades, o paraíso. Rejeitar essa submissão sábia e virtuosa é perder as bondades nela contidas, pois os contrários têm efeitos contrários, e assim quem faz o mal não merece o bem e quem faz o bem não merece o mal.

A árvore é dita do conhecimento do bem e do mal pela consequência da desobediência, porque nisso o homem aprendeu por experiência a distância entre o bem e o mal, entre um estado e o seu contrário pelas privações.

No pecado de desobediência de Eva há outros pecados, indicados por exemplo pelas palavras de tentação da serpente sedutora, o pai da mentira. Há o pecado da soberba, pelo “sereis como deuses”, com um desejo desmedido de excelência, com uma afeição de grandeza contrária a razão. Há o pecado da curiosidade vã, pelo “é bom para ter conhecimento”, com um desejo desmedido pelo saber, uma cobiça de ciência para além do fixado por Deus.  Há o pecado da gula, pelo “é bom para o apetite”, com uma excitação degustativa pelo alimento. Há o pecado da infidelidade, por dar ouvidos antes ao diabo que a Deus, que nisso foi desestimado. E há a desobediência, pela transgressão do preceito.

Podendo tentar o homem, a serpente preferiu tentar a mulher, e a tentou com seduções eficazes, apresentando-lhe bens apetecíveis, objeto de seu amor, e excluindo de sua mente, com as palavras ditas, o temor daquilo que Deus havia dito, que viria a morte. Se a mulher foi tentada pela serpente e consentiu, o homem pecou após a mulher lhe dá o fruto, que comeu com a consciência de ser o fruto proibido, pois do contrário não teria culpa, em razão da ignorância. Nisso a mulher foi de certo modo instrumento do projeto maligno da serpente, que por ódio a Deus e à criatura humana quis trazê-la para o pecado e para os males do pecado, entre eles a sujeição ao demônio e a inferno eterno.

No evangelho de São João é dito: “Entretanto, digo-vos a verdade: convém a vós que eu vá! Porque, se eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se eu for, vo-lo enviarei. E, quando ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da justiça e do juízo. Convencerá o mundo a respeito do pecado, que consiste em não crer em mim. Ele o convencerá a respeito da justiça, porque eu me vou para junto do meu Pai e vós já não me vereis; ele o convencerá a respeito do juízo, que consiste em que o príncipe deste mundo já está julgado e condenado”. (16,7-11)

A ilusão do pecado

“Eu disse antes que o demônio convida os homens para a água morta, a única que lhe pertence, cegando-os com prazeres e satisfações do mundo. Usa o anzol do prazer e fisga-os mediante a aparência de bem. Sabe ele que por outros caminhos nada conseguiria; sem o vislumbre de um bem ou satisfação, os homens não se deixam aprisionar. Por sua própria natureza, a alma humana tende ao bem. Infelizmente, devido à cegueira do egoísmo, o homem não consegue discernir qual é o bem verdadeiro, realmente útil ao corpo e à alma. Percebendo isso, o demônio, maldoso, apresenta-lhe numerosos atrativos maus, disfarçados, porém, sob alguma utilidade ou prazer. Adapta-se ele às diversas pessoas, variando atitudes e males conforme crê oportuno. De uma forma tenta o leigo, de outra o religioso, o prelado, os chefes; a cada um, conforme sua posição social.

Falei dessas coisas porque no presente estou ocupando-me dos pecadores que se afogam pelo rio do pecado. São homens egoístas, que só pensam em si mesmos. Amam a si mesmos, ofendem-me. Já disse para onde se encaminham; agora quero mostrar-te como se iludem, pois, ao tentar fugir dos sofrimentos, em sofrimentos caem. Julgam que o fato de me seguir através da ponte-Cristo seja causa de muita fadiga, por isso voltam atrás com medo dos espinhos. Na realidade, tal atitude procede da cegueira e ignorância da Verdade, como te fiz ver no início de tua vida, quando rogavas misericórdia em favor do mundo, desejosa de que eu o libertasse do pecado mortal.

(…)

Infelizmente os homens, cegos pela fumaça do egoísmo, não me conhecem, não se conhecem. Vê como se iludem: preferem morrer de fome do que superar um pequeno espinho. Mas não ficarão sem dificuldades. Nesta vida, ninguém vive sem cruz. A não ser aqueles que caminham pela estrada superior; eles também sofrem, mas sua dor não aflige. Pelo pecado, como já disse (10.2), o mundo produziu dificuldades e dores, bem como nasceu o rio do pecado, esse mar tempestuoso; mas para vós eu construí uma ponte, de modo que não vos afogueis.” (mensagem de Deus Pai a Santa Catarina de Sena, no livro “O Diálogo”)

O Primeiro Princípio é o máximo ser, o Ser Supremo totalmente perfeito

Na Sagrada Escritura é dito: “No princípio, Deus criou o céu e a terra. A terra estava sem forma e vazia; as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas. Deus disse: “Faça-se a luz!”. E a luz foi feita. Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas”. (Gênesis 1,1-4)

No princípio havia Deus, que em certo sentido existe desde sempre, sem princípio nem fim. Assim, Deus é necessariamente o Primeiro Princípio de tudo aquilo que tem um princípio. Porque necessariamente o efeito não pode ter mais ser que sua causa, e dado que nada pode vir do puro nada, então o primeiro princípio é o máximo ser, o Ser Supremo totalmente perfeito.  

A primeira afirmação da Sagrada Escritura ensina algo sobre a totalidade do ser: a distinção entre o ser e não-ser, entre Criador e criatura, entre Ser eterno e não-ser eterno. Deus é o primeiro princípio das coisas criadas, que enquanto tais são consequentes do primeiro Antecedente. No princípio há a plenitude do Ser, que também é a plenitude do Poder, e a partir dela acontece a criação. O antecedente é sempre anterior e superior ao consequente. Assim, a criatura se distingue do Criador pelo menos e não pelo mais. Neste sentido, se há alguma evolução nas coisas, ela é sempre relativa e restrita, porque antes de tudo e desde sempre há a plenitude do Ser, de modo imutável, pois pela impossibilidade do nada absoluto, o ser necessário que há é o máximo de ser. Toda evolução só pode ser evolução relativa, porque sempre supõe a presença total do ser, e nada pode vir do puro nada.  

“Meu filho, guarda a sabedoria e a reflexão, não as percas de vista”

Em Provérbios é dito: “Meu filho, guarda a sabedoria e a reflexão, não as percas de vista. Elas serão a vida de tua alma e um adorno para teu pescoço. Então caminharás com segurança, sem que o teu pé tropece. Se te deitares, não terás medo. Uma vez deitado, teu sono será doce. Não terás a recear nem terrores repentinos, nem a tempestade que cai sobre os ímpios, porque o Senhor é tua segurança e preservará teu pé de toda cilada.” (3,21-26)

Os conselhos contidos nos Provérbios, quando corretamente entendidos, são conselhos de Deus para o homem, porque a Sagrada Escritura é palavra de Deus em linguagem humana, conforme a fé da verdadeira Igreja de Cristo, fora da qual não há salvação.

Deus aconselha a guardar a sabedoria e a reflexão e a não perdê-las de vista. Isto significa que há muito valor na sabedoria e na reflexão, que são bens de elevada importância para a vida do homem. Por isso devem ser buscadas e quando possuídas devem guardadas.

A Sabedoria é antes de tudo o próprio Deus e é as palavras de Deus. Há o Verbo divino e os verbos do Verbo divino. Há a Ciência divina e as realidades causadas por Ela, que as contém de certo modo, como efeitos não divinos de uma Causa divina.  Reflexão é o mesmo que discernimento, e em todo discernimento genuíno se discerne o ser do não ser, o verdadeiro do falso, o bem do mal. A sabedoria, com a reflexão que ela contém, com o discernimento que dela procede, é perfeição para o homem e aperfeiçoa o homem, que nisso é elevado para o bem e o melhor, como fim querido pelo Deus amoroso, o Sumo Bem fonte de todos os bens.

Verdades religiosas e credibilidade da fé católica

“2. Não é de admirar que haja constantemente discórdias e erros fora do redil de Cristo. Pois, embora possa realmente a razão humana com suas forças e sua luz natural chegar de forma absoluta ao conhecimento verdadeiro e certo de Deus, único e pessoal, que sustém e governa o mundo com sua providência, bem como ao conhecimento da lei natural, impressa pelo Criador em nossas almas, entretanto, não são poucos os obstáculos que impedem a razão de fazer uso eficaz e frutuoso dessa sua capacidade natural. De fato, as verdades que se referem a Deus e às relações entre os homens e Deus transcendem por completo a ordem dos seres sensíveis e, quando entram na prática da vida e a enformam, exigem o sacrifício e a abnegação própria. Ora, o entendimento humano encontra dificuldades na aquisição de tais verdades, já pela ação dos sentidos e da imaginação, já pelas más inclinações, nascidas do pecado original. Isso faz com que os homens, em semelhantes questões, facilmente se persuadam de ser falso e duvidoso o que não querem que seja verdadeiro.

“3. Por isso deve-se defender que a revelação divina é moralmente necessária para que, mesmo no estado atual do gênero humano, todos possam conhecer com facilidade, com firme certeza e sem nenhum erro, as verdades religiosas e morais que não são por si inacessíveis à razão. Ademais, por vezes, pode a mente humana encontrar dificuldade mesmo para formar juízo certo sobre a credibilidade da fé católica, não obstante os múltiplos e admiráveis indícios externos ordenados por Deus para se poder provar certamente, por meio deles, a origem divina da religião cristã, exclusivamente com a luz da razão. Isso ocorre porque o homem, levado por preconceitos, ou instigado pelas paixões e pela má vontade, não só pode negar a evidência desses sinais externos, mas também resistir às inspirações sobrenaturais que Deus infunde em nossas almas.” (Carta Encíclica  Humani Generis, do Papa Pio XII,1950)

A Sagrada Eucaristia é divina porque divino é Cristo, e Cristo é divino porque divino é o Verbo

No Evangelho de São João é dito: “Depois disse a Tomé: “Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé”. Respondeu-lhe Tomé: “Meu Senhor e meu Deus!”. (20,27-28)

O culto de adoração à humanidade de Cristo não é um culto a uma pura criatura, o que seria idolatria condenada no primeiro mandamento da lei de Deus, porque somente Deus deve ser adorado enquanto único e verdadeiro Deus, o Ser Absoluto acima de tudo e do qual tudo depende absolutamente, de modo imutável. Porque Cristo é Homem-Deus, no qual, pelo poder do divino amor, a natureza humana está unida à natureza divina na mesma Pessoa divina, a humanidade de Cristo é a humanidade do Verbo encarnado, e nisso a carne de Cristo, assim como sua alma humana de verdadeiro homem, é a carne do Verbo que assumiu a natureza humana para a salvação eterna do homem, como Deus misericordioso que o tira da miséria.

A Sagrada Humanidade de Cristo é adorável como adorável é o próprio Verbo Divino, que é, desde toda a eternidade, Deus com o Pai que o gerou e com o Espírito Santo que procede do mesmo Pai Eterno e do mesmo Filho Eterno, a Trindade Santíssima do verdadeiro e único Deus.

A Sagrada Eucaristia é divina porque divino é Cristo, e Cristo é divino porque divino é o Verbo, que é divino porque é o Filho unigênito de Deus, com a mesma natureza divina, como não poderia ser diferente. O Ser Infinito de Deus é misterioso para a mente humana limitada, e misteriosas são suas obras, até que os véus do mistério sejam removidos e a mente seja iluminada, conforme vontade de Deus. A mística Santa Faustina diz em seu Diário: “Que grande mistério realiza em nós a Santa Comunhão — conheceremos só na eternidade. Ó momentos mais preciosos da vida”! (D.840). “Quando nos desvendardes o mistério da Vossa misericórdia, a eternidade não será suficiente para Vos agradecer devidamente”. (D.1122)

“O diabo sabe que cada graça chega à alma através da Imaculada”

“O diabo sabe que… cada graça chega à alma através da Imaculada, por isso faz de tudo para desviar a alma deste caminho e insinua a soberba”. (São Maximiliano Kolbe)

Maria Santíssima, a Mãe de Cristo, o Homem-Deus, é a medianeira de todas as graças divinas por vontade do próprio Deus, que assim dispôs as coisas conforme sua Sabedoria infinita. Ela está unida a Deus como nenhuma outra pura criatura, foi associada à Santíssima Trindade de modo sem igual. Ela tem acesso a todos os bens conquistados pelos méritos de seu Filho divino, ela nascida dele enquanto mulher, pois é dito que “tudo foi feito por meio do Verbo, e sem o Verbo nada foi feito” (Jo 1,3), e Ele nascido dela enquanto homem, pois é dito que “o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus” (Lc 1,35). Ele que é o Filho Eterno sem Mãe, porque é gerado somente pelo Pai Eterno desde toda eternidade, e Filho Homem sem pai, pois foi gerado no ventre de Maria pela ação do Espírito Santo.

Maria, a Imaculada, é instrumento da Misericórdia Divina e de certo modo é personificação dessa mesma Misericórdia. Ela foi feita para uma glória eterna pela divinização em Cristo e para a distribuição dos bens e graças da Misericórdia de Deus entre as criaturas, entre as pessoas humanas. Por essa e por outras verdades importantes, os católicos recorrem à sua Mãe Divina, onipotência suplicante, concedida por Deus. E assim dizem com frequência: “Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. / Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém”.

São Maximiliano Kolbe diz: “Ainda que a dignidade da Maternidade divina constitua a razão principal de todos os seus privilégios, a primeira graça que Ela recebeu de Deus foi sua Imaculada Conceição, com exceção de qualquer mancha, até mesmo do pecado original, desde o primeiro instante de existência”. E também diz: “O diabo sabe que… cada graça chega à alma através da Imaculada, por isso faz de tudo para desviar a alma deste caminho e insinua a soberba”.

“Vós, porém, Senhor, permaneceis eternamente”

Sobre a eternidade, Santo Tomás diz: “Propriamente, eterno é o que é sempre e cujo ser é todo simultaneamente”.

Deus é propriamente eterno. A eternidade de Deus pode ser dita em razão de sua imutabilidade. A eternidade significa duas coisas importantes. Primeiro, significa a ausência de princípio e de fim, como algo que sempre é, com duração permanente do ser, sem começo nem término. Segundo, significa o ser todo simultâneo, porque pela imutabilidade não há mudança, e se não há mudança, não há sucessão, e assim não há tempo, que é medida do movimento na sequência de anterior e posterior. Todo porque nada de seu ser lhe falta, tudo o que ele é está em plena atualidade; e simultâneo porque não há sucessão, não há antes nem depois.

Se Deus é absolutamente imutável, necessariamente é eterno, e a eternidade de Deus, pelo que a razão humana pode alcançar, deve ser entendida como a ausência de princípio e de fim, um perdurar sempre, e a presença do ser todo simultaneamente, em absoluta simultaneidade.

A Sagrada Escritura, que contém divina revelação, ensina a eternidade de Deus. Assim, no salmo 103 é dito: “Vós, porém, Senhor, permaneceis eternamente” (13) e “Vós sois sempre o mesmo, e os vossos anos não terminam” (28).

A vida eterna do homem salvo, enquanto participação na Vida propriamente eterna de Deus, significa uma vida interminável em superabundante felicidade, como uma gota mergulhada num oceano de felicidade infinita, que é o Deus uno e trino, ensinado pela verdadeira religião, que é Cristo e sua Santa Igreja Católica, Igreja da Eucaristia e da Imaculada, de São Pedro e São Paulo.