Santo Tomás de Aquino ensina que a “árvore do conhecimento do bem e do mal” não é má em si mesma nem possui poder de causar conhecimento. A razão da proibição de Deus é a prova de obediência do homem, sua sujeição à vontade divina, da qual depende em seu estado de justiça original cheio de bondades, o paraíso. Rejeitar essa submissão sábia e virtuosa é perder as bondades nela contidas, pois os contrários têm efeitos contrários, e assim quem faz o mal não merece o bem e quem faz o bem não merece o mal.
A árvore é dita do conhecimento do bem e do mal pela consequência da desobediência, porque nisso o homem aprendeu por experiência a distância entre o bem e o mal, entre um estado e o seu contrário pelas privações.
No pecado de desobediência de Eva há outros pecados, indicados por exemplo pelas palavras de tentação da serpente sedutora, o pai da mentira. Há o pecado da soberba, pelo “sereis como deuses”, com um desejo desmedido de excelência, com uma afeição de grandeza contrária a razão. Há o pecado da curiosidade vã, pelo “é bom para ter conhecimento”, com um desejo desmedido pelo saber, uma cobiça de ciência para além do fixado por Deus. Há o pecado da gula, pelo “é bom para o apetite”, com uma excitação degustativa pelo alimento. Há o pecado da infidelidade, por dar ouvidos antes ao diabo que a Deus, que nisso foi desestimado. E há a desobediência, pela transgressão do preceito.
Podendo tentar o homem, a serpente preferiu tentar a mulher, e a tentou com seduções eficazes, apresentando-lhe bens apetecíveis, objeto de seu amor, e excluindo de sua mente, com as palavras ditas, o temor daquilo que Deus havia dito, que viria a morte. Se a mulher foi tentada pela serpente e consentiu, o homem pecou após a mulher lhe dá o fruto, que comeu com a consciência de ser o fruto proibido, pois do contrário não teria culpa, em razão da ignorância. Nisso a mulher foi de certo modo instrumento do projeto maligno da serpente, que por ódio a Deus e à criatura humana quis trazê-la para o pecado e para os males do pecado, entre eles a sujeição ao demônio e a inferno eterno.
No evangelho de São João é dito: “Entretanto, digo-vos a verdade: convém a vós que eu vá! Porque, se eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se eu for, vo-lo enviarei. E, quando ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da justiça e do juízo. Convencerá o mundo a respeito do pecado, que consiste em não crer em mim. Ele o convencerá a respeito da justiça, porque eu me vou para junto do meu Pai e vós já não me vereis; ele o convencerá a respeito do juízo, que consiste em que o príncipe deste mundo já está julgado e condenado”. (16,7-11)