“Para o rosário”: retornam felizes para as suas casas, com a bendita paz no coração e fortalecidos no espírito

“Dim dom, dim dom, para o rosário, para o rosário” chamam os sinos das igrejas no anoitecer e seu toque corre pelas ruas, entra nas casas, no palacetes, nos subterrâneos, nos sótãos, levanta voo acima dos campos e dos bosques, penetra nas casinhas dos camponeses, entra nos ouvidos, nas mentes e nos corações: “Para o rosário, para o rosário”.

Muitos aguardam com alegria este sinal e, logo que ouvem os primeiros toques do sino, apressam-se para terminar o trabalho, reúnem-se e juntos vão à casa de sua Rainha.

(…)

“Pai Nosso…” “Ave Maria…” “Ave Maria…”

Nos corações sofredores desce um bálsamo de conforto, nas almas desesperadas brota novamente um raio de esperança. Os pobres, os fadigados, os que estão curvados sob o fardo das preocupações, das tribulações e das cruzes sentem sempre mais clara e expressamente que não são órfãos, que têm uma Mãe que conhece as suas dores, que se compadece deles, os conforta e os ajuda. Sentem que ainda devem sofrer um pouco mais, mas que logo virá a recompensa, a recompensa eterna, infinita, antes, sentem que até vale a pena sofrer nesta breve vida, com o objetivo de anular as culpas cometidas e dar uma prova do seu amor a Deus, compreendem que no sofrimento a alma se purifica como o ouro no fogo, desapega-se das ilusões passageiras que o mundo chama de felicidade, e se eleva sempre mais para o alto, infinitamente mais para o alto, até o manancial de toda felicidade, até Deus. Dão-se conta que somente nele a alma pode encontrar repouso, enquanto que todo o resto é muito pouco…

“Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo…”

“Sob a tua proteção…”, ressoa em toda a igreja. Um canto que brota do coração e une os corações dos filhos ao coração da Mãe.

A celebração terminou, apagam-se as luzes e os que participaram retornam felizes para as suas casas, com a bendita paz no coração, e fortalecidos no espírito”. (São Maximiliano Kolbe, 1925)

A verdade é sempre útil: Ano Novo

“Está se aproximando o Ano Novo. Admirei os adornos do dia primeiro do ano passado. Observei atentamente também os do primeiro ano. Há algo de verdade nisso e também qualquer coisa vã: vi o primeiro dia do ano passado, como também o deste ano, mas não sei se verei no próximo ano.

A verdade é sempre útil. Em consequência, mesmo que a verdade às vezes seja desagradável, não tenham medo de olhá-la sinceramente frente a frente.

Cada ano morrem anciãos e jovens, adultos e até crianças: não sei se poderei ver o próximo primeiro do ano.

Quando chegará a nossa vez?

Só uma coisa é certa: desde o primeiro dia do ano passado e o presente nos aproximamos da morte nesse mesmo espaço de tempo. Cada ano, cada hora, cada minuto nós no aproximamos da morte. E podemos afirmá-la com toda certeza. E isto vale para todos os países e todas as regiões. Da morte aproximam-se os ricos e os pobres, os ignorantes e os doutos, os poderosos e os humildes deste mundo, os jovens e os anciãos. Nisso não há exceção: todos somos iguais.

Quando se aproxima um caçador, o avestruz esconde a cabeça na areia; fazendo isso acredita que está fora de perigo… Também o homem imita o avestruz e faz a mesma coisa, já que não quer pensar na morte.

Mas continuemos com coragem a nossa conversa…

O que existe depois da morte?

Existe uma vida além da tumba?

Se Deus existe, deve ser justo. E já que neste mundo a justiça muitas vezes não existe, deverá estar presente na vida futura.

Eis o paraíso! Eis o inferno!

(…)

Todos os homens são iguais diante de Deus. Se existe um Deus infinitamente perfeito, Ele é também sábio, bom a justo. Em consequência, depois da morte Ele julgará os pensamentos, as palavras e as ações de cada um de nós. Segundo a justiça divina receberemos máxima recompensa ou máxima punição. Um homem de vontade fraca, entretanto, não tem a força de mudar a própria vida, por isso mesmo, mesmo que não tenha um só argumento contra a existência de Deus, ele nega tal existência”. (São Maximiliano Kolbe, 1934)

O escândalo dado às crianças e aos jovens mata as suas almas e abre-lhes o caminho para a condenação eterna

“Herodes tirou a vida apenas dos corpos das crianças assassinadas, mas não matou suas almas – essas crianças, batizadas em seu próprio sangue, morreram por meu Filho e foram para o Céu para se alegrar com Ele para sempre. E o escândalo dado às crianças e aos jovens mata as suas almas e abre-lhes o caminho para a condenação eterna. Os escandalizadores causam um dano irreparável ao Céu e à sua Pátria. Ai do mundo por causa do escândalo, melhor que tal pessoa, por quem vem o escândalo ao mundo, não tivesse nascido”. Essas palavras foram pronunciadas pela Santíssima Virgem Maria com lábios trêmulos, lágrimas abundantes escorriam de Seus olhos.

“Formem associações de cuidado para crianças e jovens, para protegê-los das influências dos escandalizadores. Tenham coragem de advertir os escandalizadores para que não imitem o cruel Herodes em sua cegueira”.

A estas palavras eu chorei – escreve nossa mística – e no coração senti uma pressão tão terrível que parecia que o fim da minha vida estava próximo.

No Dia dos Inocentes, 28 de dezembro. A Santíssima Virgem Maria com o Menino Jesus no braço esquerdo apareceu durante o início da Missa e ficou até o fim. Vi que durante o Credo ela chorava e o Menino Jesus estava triste, aninhando-se em seu peito, como se estivesse com medo de algo […] e perguntei: ‘Mãe Santíssima, por que choras em uma celebração tão alegre?’. “Não sabes que hoje a Igreja celebra a Festa dos Santos Inocentes, ou seja, as crianças assassinadas por ordem do rei Herodes […]. Esta crueldade de Herodes, esta dor terrível das mães dos filhos assassinados traz lágrimas aos meus olhos”.

“Mas ainda mais choro e, junto com meu Filho, me afundo na tristeza e no lamento ao ver outro assassinato, o moral, cometido também nos dias atuais. Esse assassinato moral das crianças é o escândalo causado por palavras más, ações escandalosas, imagens e livros imorais, várias peças teatrais. Esses escândalos são dados pelos mais velhos, que deveriam dar exemplos de virtudes cristãs e cívicas; pior ainda, são dados por alguns cidadãos, que deveriam liderar a juventude no caminho do bem; e até mesmo há pais que escandalizam seus próprios filhos com palavrões, embriaguez e outros pecados, em vez de guardar a moralidade e educar a juventude nos princípios do Evangelho.”. (Mensagem à Serva de Deus Wanda Malczewska, polonesa, 1822-1896)

“Creio em tudo aquilo que disse o Filho de Deus”

“Eu vos adoro devotamente, ó Divindade escondida,/Que verdadeiramente oculta-se sob estas aparências, (…) A vista, o tato, o gosto falham com relação a Vós/Mas, somente em vos ouvir em tudo creio./Creio em tudo aquilo que disse o Filho de Deus,/Nada mais verdadeiro que esta Palavra de Verdade./ Na cruz, estava oculta somente a vossa Divindade,/Mas aqui, oculta-se também a vossa Humanidade./ Não vejo, como Tomé, as vossas chagas/Entretanto, vos confesso meu Senhor e meu Deus (…) Ó memorial da morte do Senhor,/Pão vivo que dá vida aos homens,/Faça que minha alma viva de Vós,/E que à ela seja sempre doce este saber (…)” (Santo Tomás de Aquino)

O hino “Adoro te devoto”, composto por Santo Tomás, contém verdades importantes sobre a Sagrada Eucaristia tal como deve se entendida catolicamente, como ato habitual de fé no que é verdadeiro, por ser divinamente revelado. Nas palavras de Cristo [“isto é o meu Corpo” e “isto é o cálice do meu Sangue”, e “a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue é verdadeiramente uma bebida; quem come a mina carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele (Jo 6, 52-5)], há a revelação da presença real, substancial e total de Cristo no Pão Consagrado, na Hóstia Santa. Dizer algo contrário a isto é negar a divina revelação dada a Igreja, que é a Igreja da Eucaristia, e falsificar as palavras de Cristo, palavras da Verdade para a salvação eterna do homem, pelo caminho da verdade, pois o Divino Mestre disse “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” e disse “é para isto que nasci e vim ao mundo: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz”.

São João, entre os Apóstolos o mais próximo do Coração Eucarístico, padroeiro dos teólogos, com o Espírito da Verdade diz: “Caríssimos, não deis fé a qualquer espírito, mas exa­minai se os espíritos são de Deus, porque muitos falsos profetas se levantaram no mundo. Nisto se reconhece o Espírito de Deus: todo espírito que proclama que Jesus Cristo se encarnou é de Deus; todo espírito que não proclama Jesus esse não é de Deus, mas é o espírito do Anticristo de cuja vinda tendes ouvido, e já está agora no mundo” (1Jo 1,1-3)

Filho Primogênito do Pai Eterno e Primogênito da sempre Virgem Maria

No Evangelho de São Lucas é dito sobre Maria Santíssima: “E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria”. Há quem use essa passagem para dizer que Maria teve outros filhos, pois, se Jesus é o seu primogênito, então haveria outros, e com isso não seria verdadeiro o dogma católico da Virgindade Perpétua da Santa Mãe de Deus, sempre Virgem Puríssima. Nisso há uma meia-verdade misturada com falsidade importante, que é a parte que nega o dogma, verdade revelada da fé verdadeira.

Certamente, se alguém é primogênito, então ele é o primeiro de uma sequência, na qual há pelo menos o segundo. Por exemplo: como verdade da razão e da Revelação, Deus é dito a Causa Primeira de todas as coisas, causa onipresente que ao seu modo divino atua com as causas segundas que há nas coisas. Pela noção de causa primeira e de causas segundas se entende os milagres, pois em cada milagre, que só se realiza pelo poder de Deus, a Causa Primeira onipotente age sem necessidade da causa segunda. No milagre da Encarnação, Cristo homem foi gerado apenas de Maria, de seu corpo santo, sem a participação de um homem, o qual, junto com a mulher, em geral é a causa segunda natural do surgimento de novos homens.    

Assim, se Jesus é o primogênito de Maria, então tem de haver pelo menos outro filho. Porém, se é certo que a Sagrada Escritura diz “filho primogênito de Maria”, é necessário distinguir, e assim a confusão se desfaz.

Eis a distinção. A mesma Escritura diz que Cristo é Filho unigênito do Pai (Jo 3,16) e primogênito do Pai (Heb 1,6). Ora, há aqui uma aparente contradição, pois não é possível ser primogênito e unigênito no mesmo sentido, pois se é filho único, não há outros, e se não há outros é sem sentido falar em primeiro. Mas a contradição é aparente, se consideramos o que a fé verdadeira ensina. Como ensina São João, Cristo é o Verbo Divino que se fez carne e habitou entre nós, é o Filho de Deus, que é Deus, com a mesma Essência Divina do Pai, que o gerou desde toda a eternidade, como a Sabedoria que Deus tem de si mesmo. Nesse sentido, Deus Pai tem apenas um Filho essencialmente divino; porém, em outro sentido, Deus possui outros filhos, os filhos adotivos, que pelo batismo são divinizados pela ação do Espírito Santo, tornados participantes da natureza divina de modo sobrenatural. Assim, há o Filho divino por natureza, coeterno com o Pai e o Espírito Santo, e há, pela Misericórdia Onipotente e sumamente generosa, os filhos adotivos, divinos por participação.  

Com relação ao caso de Maria, pode-se dizer o mesmo: Jesus Cristo é, segundo a carne, o Filho único da Santíssima Virgem, e o primogênito, pois, segundo o espírito, todo batizado é filho espiritual de Maria. Assim, por vontade divina a Imaculada possui uma multidão de filhos espirituais, e esse é um dos significados do que na cruz Cristo diz para Ela e para o discípulo amado, que a tradição diz ser o Apóstolo São João: “Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa” (Jo 19, 26-27).

O Natal, em seu verdadeiro sentido religioso, ensina a Encarnação do Verbo, o Salvador que veio trazer a salvação providenciada pela Misericórdia Divina para o homem escravo de suas misérias, e como fato no fato da Encarnação ensina o nascimento do Menino-Deus, tal como profetizado pelo profeta Isaías: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamarão pelo nome de Emanuel’ que significa ‘Deus conosco”. (Is 1,23)

“Tudo que está escondido e tudo que está aparente eu conheço: porque foi a sabedoria, criadora de todas as coisas, que mo ensinou”

Sobre Deus, São Tiago diz: “Pai das luzes, fonte de todo conhecimento, de toda dádiva boa e do todo dom perfeito” (1,17).

O homem possui uma consciência espiritual e uma vontade espiritual, potências de sua alma, às quais correspondem os inteligíveis, o verdadeiro, os significados, os logos, os valores objetivos, as virtudes, a liberdade, a responsabilidade. Nada disso é possível para seres puramente materiais.

Como ato de sua consciência espiritual, no conhecimento humano há marcas da espiritualidade em seu verdadeiro sentido. Esse conhecimento é participação intencional no ser conhecido, que supõe a intencionalidade da consciência, é um modo de presença do ser na mente daquele que conhece e é uma posse do espírito cognoscente. Participação, presença e posse, realidades imateriais, potência e atividade, vida espiritual. Se considero o conhecer humano e certas realidades nele conhecidas, se considero o querer humano e certas realidades nele queridas e se considero o amor humano e certas realidades nele amadas, posso ter um vislumbre do espírito, das realidades espirituais.   

A sabedoria é espiritual e das coisas do espírito, é eterna e das coisas eternas, é a plenitude do sentido e das coisas com sentido. Nenhum ser puramente material pode possui-la, porque ela exige uma mente espiritual, que, por dádiva da Sabedoria, o próprio Deus, pode receber progressivas iluminações em Cristo. Como ensina São Boaventura, o homem espiritual é um homem de oração e contemplação, e nisso é um “homem de desejos”, ávido de sabedoria divina, desejoso dos raios da luz celeste.

“Tudo que está escondido e tudo que está aparente eu conheço: porque foi a sabedoria, criadora de todas as coisas, que mo ensinou. Há nela, com efeito, um espírito inteligente, santo, único, múltiplo, sutil, móvel, penetrante, puro, claro, inofensivo, inclinado ao bem, agudo, livre, benéfico, benévolo, estável, seguro, livre de inquietação, que pode tudo, que cuida de tudo, que penetra em todos os espíritos, os inteligentes, os puros, os mais sutis. Mais ágil que todo o movimento é a Sabedoria, ela atravessa e penetra tudo, graças à sua pureza. Ela é um sopro do poder de Deus, uma irradiação límpida da glória do Todo-poderoso; assim mancha nenhuma pode insinuar-se nela. É ela uma efusão da luz eterna, um espelho sem mancha da atividade de Deus, e uma imagem de sua bondade. Embora única, tudo pode; imutável em si mesma, renova todas as coisas. Ela se derrama de geração em geração nas almas santas e forma os amigos e os intérpretes de Deus, porque Deus somente ama quem vive com a sabedoria!”(Sb 7, 21-28).

O que nos une não é maior do que aquilo nos separa

Em certo discurso para católicos e protestantes foi dito: “O que nos une é maior do que o que nos separa”. Essa afirmação é totalmente falsa, por pelo menos duas razões de máxima importância: a Verdade e a Sagrada Eucaristia. Em tudo, sobretudo na religião, não há nada maior que a Verdade, que é Deus, e que a Sagrada Eucaristia, que é o Deus-Homem para a salvação eterna dos homens.

O protestantismo, a revolta protestante, opõe-se à Igreja em verdades essenciais, o que inclui a negação do Divino Sacramento tal como deve ser entendido e vivido, desviando assim inúmeras almas dos benefícios do Santo Sacrifício de Cristo, de sua Paixão, Morte e Ressureição. Não há conciliação possível com o protestantismo sem concessões aos seus erros religiosos, portanto sem negação da integridade da verdadeira fé. Só haverá reconciliação verdadeira, pertencente a Deus, quando houver conversão da falsidade para a verdade, das trevas para a luz, no sentido em que Cristo diz para São Paulo: “Escolhi-te do meio do povo e dos pagãos, aos quais agora te envio para abrir-lhes os olhos, a fim de que se convertam das trevas à luz e do poder de Satanás a Deus, para que, pela fé em mim, recebam perdão dos pecados e herança entre os que foram santificados”. Assim, um “ecumenismo” que não tenham a verdade como princípio e fim é ilusório e pernicioso para as almas, obra do “pai da mentira”.

São Cipriano (séc. III) diz: “Quando o perigo é manifesto, a cautela é mais fácil. O nosso espírito está mais pronto para lutar contra um adversário abertamente declarado. É mais necessário ter medo e guardar-nos de um inimigo que penetra às escondidas, e se vai insinuando oculta e tortuosamente com falsas imagens de paz. Bem lhe convém o nome de serpente! Essa foi sempre a sua astúcia, esse foi sempre o tenebroso e pérfido engano com que tenta seduzir o homem. Já no começo do mundo mentiu e enganou as almas crédulas e ingênuas (dos nossos primeiros pais), acariciando-as com palavras falazes (Gn 3,1). Igualmente ousou tentar a Cristo, nosso Senhor, e se aproximou dele insinuando, disfarçando, mentindo. Foi contudo desmascarado e repelido. Desta vez, foi derrotado porque foi reconhecido descoberto (Mt 4,1)”.

A verdadeira Igreja é a Igreja da Sagrada Eucaristia

Na Sagrada Escritura é dito: “Pegando o cálice, deu graças e disse: “Tomai este cálice e distribuí-o entre vós. Pois vos digo: já não tornarei a beber do fruto da videira, até que venha o Reino de Deus”. Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: “Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim”. Do mesmo modo tomou também o cálice, depois de cear, dizendo: “Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue, que é derramado por vós…Entretanto, eis que a mão de quem me trai está à mesa comigo. O Filho do Homem vai, segundo o que está determinado, mas ai daquele homem por quem ele é traído!”. Perguntavam então os discípulos entre si quem deles seria o que tal haveria de fazer” (Lc 22, 17-23).

As gerações posteriores aos Apóstolos, que permanecem na verdadeira fé, fazem aquilo que os Apóstolos fizeram e transmitiram conforme a Vontade de Cristo. A Sagrada Eucaristia dos católicos de todos os tempos é a Eucaristia dos Apóstolos, instituída por Cristo junto com o sacerdócio ordenado, portanto é a verdadeira Eucaristia, tal como deve ser entendida e amada, como verdadeiramente divina, porque é o Cristo, Deus-Homem, sob as vestes do pão e do vinho. A continuidade da verdadeira Eucaristia é a continuidade da verdadeira Igreja, continuação da ação apostólica e obediência ao Divino Mestre em seus mandamentos, em suas palavras de vida eterna, em seu caminho que conduz ao Reino dos Céus. Assim, a verdadeira Igreja, que recebeu a promessa de não perecer ante as “portas do inferno”, de não ser aniquilada pelos atacas ferozes do império infernal, é a Igreja da Eucaristia, o Pão dos Fortes, a Misericórdia Onipotente.  

Cristo é o Novo Jacó, o Novo Israel, e sua Igreja Católica o seu povo

Deus não faz nada sem razão, sem a inteligência de sua Sabedoria. Isto inclui a presença dos números na criação e na história da salvação. Os números correspondem a quantidades, mas, pelo menos alguns, possuem também significado símbolos, conforma à ideia divina. Por exemplo: 12 são os filhos de Jacó, e nisso 12 são as tribos de Israel, e 12 são os Apóstolos. Os 12 filhos de Jacó, pelo vínculo da carne, são gerados a partir de Jacó, e os 12 Apóstolos, pelo vínculo espiritual, são gerados a partir de Cristo. Jacó tinha uma esposa, Raquel, pela qual trabalhou arduamente por vários anos. Cristo também tem sua esposa, a verdadeira Igreja, pela qual lutou até a morte, adquirida pelo preço de seu sangue. Cristo é o Novo Jacó, o Novo Israel, e sua Igreja Católica o seu povo, sua família divina, unidos pelo vínculo espiritual do Amor Divino, que é o Santo Espírito.

As realidades espirituais e os bens celestes e a linguagem simbólica para expressá-los são próprios da verdadeira religião, que é Cristo, o Supremo mediador, comunicado por sua Igreja, pela Vontade do Deus Misericordioso, que difunde suas bondades entre as criaturas, especialmente para cada criatura humana.

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Na Sagrada Escritura é dito: “Mas Jesus, aproximando-se, lhes disse: “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28, 18-20). Também é dito: “E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16,18)

Um dos fundamentos da cultura católica é a lei moral objetiva

Um dos fundamentos da cultura católica é a lei moral objetiva, que pertencente à ordem divina do ser, dada por Deus aos homens. Ela diz o bem e o mal e diz “faça o bem e evite o mal”, segundo a Sabedoria Divina. Em geral o homem é senhor de suas eleições, pode escolher entre o bem e o mal, e nessa possibilidade a lei moral diz o bem que deve ser feito e o mal que deve ser evitado.

Como parte de sua Providência, de seu Governo divino das criaturas, Deus dá leis aos homens, para dirigi-los para seu devido fim, que é a verdade, a virtude, e a felicidade, pela união com o próprio Deus, na inteligência, vontade e coração. Por que há o Logos Divino e o logos humano, há leis morais objetivas, que supõem o bem e o mal objetivos conforme o ser objetivo, com aquilo que lhe é necessário, impossível e possível. Isto significa as raízes ontológicas do dever-ser. A lei moral, enquanto dever-ser procedente de Deus, afirma o bem e o melhor entre os possíveis de se realizarem pela vontade humana.

Santo Agostinho diz: “(…) Eis porque a inefável misericórdia de Deus vem ajudar a cada homem em particular e ao conjunto do gênero humano, para lembrá-los da sua primeira e perfeita natureza, mediante a dispensação da divina Providência. Serve-se da criatura mutável para que seja submissa às leis eternas. Essa é em nossos tempos a religião católica e em conhecê-la e segui-la está a salvação segura e certíssima”. E mais: “Enfim, se o mal não fosse obra da vontade, absolutamente ninguém deveria ser repreendido ou admoestado. E com toda essa supressão, a lei cristã e toda a disciplina religiosa receberia golpe mortal” (em “A Verdadeira Religião”).