“Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela”

Na Sagrada Escritura, Deus disse para a serpente: “Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gênesis 3,14).

Não puro mal nem puro ódio, porque do mesmo modo que não há o mal sem o bem, não há ódio sem o amor. O amor e o bem têm prioridade sobre o ódio e o amor. Se o ódio e o amor são opostos, com mútuas negações, por essência possuem características opostas. Assim, como mostra a experiência, odiar algo é diferente de amá-lo. Por isso Deus, por amor, deseja que o pecador se converta e viva, enquanto o maligno, homicida desde o princípio, pelo ódio deseja que ela permaneça no pecado e morra, habitando eternamente o inferno.

O que a Imaculada ama é o que a serpente odeia, por isso entre elas e suas descendências só pode haver inimizade, oposição, dado que é próprio da amizade amar as mesmas coisas e detestar a mesmas coisas. O maligno odeia Maria pelas bondades que há nela e Maria o detesta pelo mal que há nele e que se espalha a partir de dele. Esta é uma oposição irreconciliável, perpétua como a nova e eterna aliança, pois Maria possui vontade imutável no bem e a serpente possui vontade imutável no mal. Deus pôs inimizade entre a serpente e a Mulher, porque Ela foi por Ele para destinada a derrotar a serpente, para, enquanto Nova Eva, esmagar sua cabeça junto com o Novo Adão.

“Entrai pela porta estreita”,”guardai-vos dos falsos profetas”

Cristo disse: “Irão levantar-se muitos falsos profetas e seduzirão a muitos. E, ante o progresso crescente da iniquidade, a caridade de muitos esfriará. Entretanto, aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt 24,11-13).

Um tempo, em sentido histórico, é perverso pelas perversões importantes que nele há, ante a visão de Deus. Toda perversão é perversão de algo, que por si mesmo não é perverso, no mesmo sentido em que todo mal é ausência de bem, que por si mesmo não é mal. Em um de seus significados, perversão significa algo como ele não deveria ser, segundo as leis divinas, que expressam a vontade da Sabedoria de Deus, e de sua Bondade. Se a heresia é negação parcial da fé verdadeira, de uma ou mais verdades que lhe são essenciais, a apostasia é a negação total da fé verdadeira. Essa dupla negação, que por si mesmas são perversões, pois pela lei divina os homens devem aceitara verdadeira fé, significa desobediência, em oposição à obediência da fé, exigida para a salvação eterna e a participação nas bondades de Deus. A este respeito, Deus Pai disse a Santa Faustina: “Toda a vossa fé fundamenta-se na obediência; obedecendo, sois fiéis (…). Essa obediência comum (dos mandamentos) é muito importante; graças a ela recebestes a graça, assim como pela desobediência a tínheis perdido (Rm 5,19)”. (Diálogo).

Assim, a vida espiritual da Igreja e os tempos podem ser avaliados pelas heresias e apostasia que há nela, em maior ou menor medida. Nisso, importância negativa têm os falsos profetas, aparentes “homens de Deus”, que ensinam falsidades e perversões contra o verdadeiro Deus e a verdadeira religião. Desse modo, trabalham propriamente para o “espírito da falsidade”, o “pai da mentira”, e não para o Espírito da Verdade, o Espírito de Cristo; se comportam como descendentes da serpente e não como descendentes da Mulher, a Imaculada.

Os fiéis serão provados em sua fidelidade, em mais um capítulo da luta entre o Espírito da Verdade contra o espírito da falsidade, da virtude contra o vício. Como essa vida é um estado de guerra, em que se pode passar do bem para o mal, é exigido a fidelidade, a vontade e o esforço de permanecer no bem, com o auxílio divino, sem o qual não seria capaz. Isso significa que é mais fácil para o homem passar para o mal e permanecer no mal e mais difícil passar para o bem e permanecer no bem. Por isso, a “porta estreita” e a “porta larga” das palavras de Cristo.     

“Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição e numerosos são os que por aí entram. Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho da vida e raros são os que o encontram. Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores. Pelos seus frutos os conhecereis”. (Mt 7,13-16)

A Imaculada é cheia de graça também porque faz o bem e evita o mal

Santo Tomás ensina que Deus dá a graça para fazer o bem e evitar o mal, o que é inegável. “E sob esse duplo aspecto a Bem-aventurada Virgem Maria possuía a graça perfeitissimamente, porque foi ela quem melhor evitou o pecado depois de Cristo. A Bem-aventurada Virgem Maria é pois cheia de graça, tanto porque faz o bem, como porque evita o mal”(comentário sobre a Ave Maria).

A graça é bondade concedida gratuitamente. Assim, a plenitude de graça de Maria significa a porção de bens que recebeu de Deus. A este respeito, São Luís de Montfort diz: “é privilégio vosso dispor de todos os bens de Deus sem restrição alguma”. Enquanto cheia de graça, Maria recebeu bondades para fazer o bem e evitar o mal, o que inclui ser medianeira de todas as graças e corredentora subordinada a seu Filho, o Homem-Deus, e ser isenta de todo pecado, portanto imaculada desde a concepção, como convinha a Nova Eva, a semelhança do Novo Adão. Não há criatura mais semelhante a Cristo e mais próxima do Sumo Bem do que Maria, a Santa Mãe de Deus.

Ao ser escolhida como Mãe de Deus, Maria Puríssima foi associada extrinsecamente à Santíssima Trindade como nenhuma outra criatura, num vínculo perpétuo, da nova e eterna aliança. Nada do que se diz de Maria se diz sem Cristo nem superior a Cristo, pois todos dependem d’Ele, dos méritos infinitos sua Paixão Redentora. Não haveria Maria Santíssima sem Cristo, mas porque há Cristo há Maria, com todas as bondades que recebeu da generosidade do Filho para com sua Mãe. O Filho, a Sabedoria divina por meio da qual todas as coisas foram feitas, escolheu como seria sua Mãe e assim se fez pela eficácia necessária da Vontade Divina. A Mãe Santíssima diz: “Por isso, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem” (Lc 1, 48-50).

É pela vontade que o homem vive a obediência da fé decisiva para a salvação eterna

Como a salvação do homem consiste no conhecimento da verdade, deve-se evitar ao máximo as confusões que falsificam a palavra de Deus, que é a palavra da verdade. Exemplo são as confusões religiosas do protestantismo, como “o somente a fé”.

A fé é um dom de Deus, porém um dom possível para todos, pois se é certo que Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade e se o assentimento da fé ante a verdade revelada é necessário para a salvação eterna, não poderia ser de outro modo. Como Deus é eterno, que tudo faz desde a eternidade, o seu querer a salvação de todos abrange a totalidade dos homens em todos os tempos.

Aqueles que vão para o inferno perpétuo condenam-se pela própria vontade, porque do contrário teríamos de admitir que alguém foi para o inferno porque Deus quis, o que é impossível pois em Deus não há contradição.  Na ordem de sua Providência, Deus quis que o livre-arbítrio humano fosse um fato decisivo na salvação, o que não exclui o auxílio divino, porque para alcançar a vida eterna é necessário a graça e a vontade, no sentido em que diz Santo Agostinho: “O Deus que te criou sem ti, não te salvará sem ti”.

É pela vontade que o homem cumpre os mandamentos, que realiza obras de misericórdia, que reza, que recebe devidamente os sacramentos, que exerce as virtudes, que vive a Vontade de Deus, enfim, é pela vontade que o homem, senhor de suas eleições, vive a obediência da fé decisiva para a salvação eterna, o descanso sem fim no paraíso das divinas delícias e superabundante felicidade.

No Apocalipse é dito: “Disse ele ainda: “Não seles o texto profético deste livro, porque o momento está próximo. O injusto faça ainda injustiças, o impuro pratique impurezas. Mas o justo faça a justiça e o santo santifique-se ainda mais. Eis que venho em breve, e a minha recompensa está comigo, para dar a cada um conforme as suas obras. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Começo e o Fim. Felizes aqueles que lavam as suas vestes para ter direito à árvore da vida e poder entrar na cidade pelas portas. Fora os cães, os envenenadores, os impudicos, os homicidas, os idólatras e todos aqueles que amam e praticam a mentira!” (22,10-15) 

Tudo o que Deus exige do homem, exige por amor

Tudo o que Deus exige do homem, exige por amor, por sua Bondade. Como ensina Santo Tomás de Aquino, a Bondade divina é o motivo da Vontade divina, em todas as coisas e sempre. Deus ama e quer as coisas na medida em que sua bondade está nelas, por participação. Como Deus, o Primeiro Princípio, é preexistente a todas as coisas criadas, é o amor de Deus que causa a bondade das criaturas e não a bondade das criaturas preexistentes que causa o amor de Deus, como acontece no amor humano. É o Amor de Deus, desde toda a eternidade, que move todas as coisas.

Deus exige coisas do homem, por exemplo em seus mandamentos; coisas que passam pela vontade do homem, como aquele que é senhor de suas eleições, que pode livremente, isto é, não necessariamente, escolher o que deve ou o que não deve, a virtude ou vício. O que Deus exige do homem é para o bem do mesmo homem, o que é próprio do amor, e jamais para o mal, o que é impossível, dado que o motivo da Vontade Divina é sempre a Bondade perfeita, que exclui qualquer maldade. Deus é o amor exigente que ensina ao homem as exigências do amor, porque o amor tem uma natureza, um logos, quanto ao qual há o necessário e o impossível.

Deus criou o homem com livre-arbítrio, com a liberdade de eleição, com a potência de querer algo espontaneamente e não necessariamente. Como não há contradição em Deus, que é o Ser puríssimo totalmente perfeito, é próprio de Deus afirmar e aperfeiçoar a natureza de uma criatura e não negá-la e corrompê-la. Por isso, conforme a ordem de sua Providência, o modo como dispôs as coisas desde a eternidade, Ele não elimina o livre-arbítrio do homem nessa vida terrena, na qual se pode passar do bem para o mal e do mal para o bem.

A este respeito, Cristo disse: “Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor, como também eu guardei os mandamentos de meu Pai e persisto no seu amor” (Jo 15,9); e disse também: “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15).

“Mostrar-te-ei todo o bem”

Santo Agostinho diz: “Nada é totalmente bom quando poderia ser melhor”.

O melhor é melhor dentro do bem, enquanto o pior é pior dentro do mal. Assim, dizemos que algo é melhor porque tem mais bondade e pior porque tem mais maldade. O melhor e o pior supõem diferença no bem e no mal. Sem essa diferença não fazem sentido, porque do contrário haveria unicamente o totalmente bom e totalmente mau.

O que é totalmente bom não pode ser melhor, porque o melhor significa bem a mais, o que é impossível se algo é totalmente bom, se é bom com toda a bondade. No caso, o totalmente bom em sentido absoluto coincide com o totalmente perfeito, e esse é Deus, que, na plenitude imutável de seu Ser totalmente perfeito, não pode ser melhor, nem pior, pois exclui qualquer mal. Santo Tomás de Aquino diz: “Como o mais branco é o que tem menos mistura de preto, é também melhor o que está menos misturado de mal. Ora, Deus é absolutamente isento de mistura de mal, pois em Deus não pode haver mal nem em ato nem em potência (…). Logo, Deus é o sumo bem”. Além disso, Deus é o Bem de todo bem: “Ora, Deus, sendo simplesmente perfeito, compreende na sua perfeição todas as perfeições das coisas (…). Donde, a sua bondade compreende todas as bondades” (Suma Contra os Gentios).

Na Sagrada Escritura, Deus prometeu a Moisés: “Mostrar-te-ei todo o bem” (Ex 33,19); e no livro da Sabedoria é dito sobre a Sabedoria: “Todos os bens vieram-me juntamente com ela” (Sb 7,11).

“Eu sou o Alfa e o Ômega, aquele que é, que era e que vem, o Todo-poderoso”

No livro do Apocalipse (1,5-8) é dito: “Jesus Cristo, é a testemunha fiel, o primeiro a ressuscitar dentre os mortos, o soberano dos reis da terra. A Jesus, que nos ama, que por seu sangue nos libertou dos nossos pecados e que fez de nós um reino, sacerdotes para seu Deus e Pai, a ele a glória e o poder, em eternidade. Amém. Olhai! Ele vem com as nuvens, e todos os olhos o verão também aqueles que o traspassaram. Todas as tribos da terra baterão no peito por causa dele. Sim. Amém! “Eu sou o Alfa e o Ômega”, diz o Senhor Deus, “aquele que é, que era e que vem, o Todo-poderoso”.

Como Deus é o Bem fonte de todo bem, e como Cristo é o Deus-Homem, assim pode ser dito: “a vós graça e paz da parte de Jesus Cristo”.

Cristo é dito o primeiro a ressuscitar dentre os mortos e não o único. Todos os ressuscitados dependem da ressureição de Cristo, como todos os efeitos dependem da causa primeira, e Cristo ressuscitou para que outros ressuscitassem, conforme a Vontade de Deus, que “quer que todos se salvem e conheçam a verdade”, que “não deseja a morte do pecador mas que ele se converta e viva”. O sangue de Cristo é precioso, porque é o sangue da salvação, o sangue da Misericórdia divina, fonte de inumeráveis bens, o sangue pelo qual houve libertação do pecado, com sua escravidão e morte.

Deus é o mesmo ontem, hoje e sempre. O passado, o presente e o futuro pertencem a Deus, pois é o Eterno e Onipotente, que contém todos os tempos e transcende todos os tempos, é Aquele que tudo sustenta com seu poder, o Governante supremo de todo o universo. Assim é dito: “Eu sou o Alfa e o ômega”, diz o Senhor Deus, “aquele que é, que era e que vem, o Todo-poderoso”.   

Senhora das Graças, Mãe da Misericórdia

Na história da criação e da Salvação, Maria Santíssima é uma figura singular, sem igual, cheia de graça e Mãe de Deus pela Bondade Onipotente. A este respeito, Ela mesma diz de si: “E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é Onipotente e cujo nome é Santo. Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem” (Lc 1, 46-50).

A união de Maria com a Santíssima Trindade é um grande mistério, do qual sabemos algumas verdades, por exemplo pelos dogmas da fé verdadeira. Por exemplo, ela pode ser dita esposa do Espírito Santo, pois pela união mística e puríssima com Ele, foi gerado o Verbo Encarnado, a Vida que desceu até nós e em primeiro lugar no seio da Virgem Santíssima. Em sua Imaculada Conceição e Virgindade Perpétua, ela pode ser dita toda do Espírito Santo, e de certo modo, corretamente entendido, é como que a encarnação d”Ele, como diz São Maximiliano Kolbe. Onde Maria estiver, aí está o Espírito Santo, porque Ela não pode ser separada d”Ele, enquanto sua eterna esposa mística, assim como a nova e eterna Aliança, nas palavra do Divino Mestre na Sagrada Ceia.

Como ensina Santa Faustina, a Bondade misericordiosa é o maior atributo de Deus em relação aos homens. Maria é Mãe de misericórdia por sua maternidade divina, dado que seu Filho é o Deus misericordioso entre nós. E também o é pela imitação de Deus, contida em sua união com Ele. Assim, se pertence à perfeição de Deus máxima Misericórdia, pertence à Maria, cheia de graça, ser misericordiosa no grau máximo possível, enquanto criatura divinizada, e ser Mãe da Misericórdia. Ela é Mãe da misericórdia, instrumento da Misericórdia e, entre as criaturas, como que a personificação da misericórdia, em máxima imitação de seu Filho, o Homem-Deus, de tal modo que podemos dizer que o nome de Maria significa Misericórdia. Assim Deus quis e assim ela quis ser. Ela foi dada por Deus a nós e se deu a Deus por nós, e nos conduz a Deus como o meio conduz ao devido fim, pois se o Filho que se fez homem é o Caminho para o Pai, a Mãe é o caminho para o Filho, como ensina o fato da anunciação e da Encarnação.

A misericórdia está para a miséria assim como a luz está para as trevas e o remédio para a doença. A Misericórdia de Deus é Onipotente e perante ela Maria é a onipotência suplicante, a medianeira de todas as graças. Por isso, os católicos são ensinados a pedir: “Óh, Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vos!” e “por todos aqueles que a vós não recorrem”.

“Nunca mais oferecerão os seus sacrifícios aos demônios, com os quais se prostituem”

São Cipriano diz que o demônio “introduz as heresias e os cismas para derrubar a fé, para contaminar a verdade e dilacerar a unidade”.

Cristo, que é Deus, diz de si mesmo que é a Verdade e que nasceu e veio ao mundo para dar testemunho da verdade. Por essa e por outras, não há dúvida de que o verdadeiro cristianismo, enquanto religião de Cristo, é a religião da verdade, na qual a verdade tem máximo valor. Isso significa que a consideração da falsidade tem grande importância, pois se opõe à verdade e a obscurece. Assim, não sem razão a heresia, ou as contaminações da verdade, merecem atenção e oposição, no Espírito de Cristo, a partir de seu exemplo.

É próprio do “pai da mentira” a falsidade, o engano que desvia da obediência da fé verdadeira. Se é certo que Deus “quer que todos se salvem a cheguem ao conhecimento da verdade”, é certo também que o inimigo do homem quer que todos vivam na mentira e caiam no abismo dos sofrimentos eternos, como habitantes do império infernal, a viver em desespero e murmuração de fim.

São Paulo diz que o demônio “se transfigura em anjo de luz” (2 Cor 11,14), o que inclui ser anjo da unidade, quando convém aos seus trabalhos satânicos, porque na realidade é um simulacro de unidade, de uma falsa igreja, contra a verdadeira fé, que o império infernal deseja destruir, porque quer a destruição do homem no lago de fogo e enxofre. Desde Adão e Eva o “pai de mentira”, a serpente venenosa, vive de fraudes e as inventa de tempos em tempos para enganar os homens, como heresias, falsas filosofias, falsas religiões e até falsas igrejas. A este respeito, por exemplo, em Levítico é dito: “Nunca mais oferecerão os seus sacrifícios aos demônios, com os quais se prostituem. Essa será para eles uma lei perpétua de geração em geração” (17,7).   Contra o império infernal, cujo poder é temporário, há o reino da Imaculada, parte do Império de Cristo Rei, assim profetizado por São João no livro do Apocalipse: “Olhai! Ele vem com as nuvens, e todos os olhos o verão também aqueles que o traspassaram. Todas as tribos da terra baterão no peito por causa dele. Sim. Amém! “Eu sou o Alfa e o Ômega”, diz o Senhor Deus, “aquele que é, que era e que vem, o Todo-poderoso””.

“Fazei penitência, pois o Reino de Deus está próximo”

Quando Cristo, em continuidade com São João Batista, o profeta precursor, diz “fazei penitência, pois o Reino de Deus está próximo”, entre outras coisas isso significa o “tempo da misericórdia” e o “tempo da justiça”, pois Cristo está presente entre os homens, portanto próximo, acessível, como o Salvador Misericordioso, que pela penitência e luta contra o pecado por parte do homem, concede-lhe o perdão, pecado que priva o homem da Face Gloriosa de Deus; e Cristo estará presente em sua vinda gloriosa no fim do mundo, como Justo Juiz, vinda que é próxima para qualquer geração, no sentido de que “não se sabe o dia nem a hora” e de que Ele virá como um ladrão, de modo inesperado e surpreendente.

O dia do Filho do Homem marca o fim de um tempo e o início de outro. Quando um tempo acaba, dizemos que não há mais tempo. No dia do Senhor, enquanto fim do tempo da misericórdia, não haverá mais tempo para conseguir e acumular tesouros eternos, como acontece quando há a morte nesta vida, e assim cada um ficará com o que tem: alguns com nada e outros com algo, no mais e no menos. Aqueles que não têm nada, a não ser bens que perecem, serão pegos despreparado e desprevenidos, e já não terão mais tempo de mudar, pois enquanto tiveram tempo preferiram bens inferiores, contra os conselhos e advertências de Deus.

Assim, é dito na Sagrada Escritura: “Acontecerá como nos dias de Ló: comiam e bebiam, compravam e vendiam, plantavam e construíam. Mas no dia em que Ló saiu de Sodoma, Deus fez chover fogo e enxofre do céu e fez morrer todos. O mesmo acontecerá no dia em que o Filho do Homem for revelado. Nesse dia, quem estiver no terraço, não desça para apanhar os bens que estão em sua casa. E quem estiver nos campos não volte para trás” (Lc 17,26-37).